Alta de casos deixa Ceará sob alerta para uma possível 3ª onda da pandemia

Com cenário de aumento de casos de Covid-19 nos primeiros dias do ano, após as comemorações de Natal e Réveillon, o Ceará está sob alerta para o risco de uma possível terceira onda da pandemia. A ameaça reflete o avanço da variante Ômicron e descuido de parte da população com medidas de prevenção à doença, como uso de máscara e distanciamento. O aumento de casos de síndromes gripais, ligados ao vírus H3N2, subtipo da Influenza A, também preocupa as autoridades de Saúde do Estado.

De acordo com dados da plataforma IntegraSUS, gerenciada pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), na primeira semana de janeiro, entre os dias 1º e 8, o Ceará apresentou crescimento de 216% nos diagnósticos confirmados de Covid-19, na comparação com a primeira semana do mês anterior. No intervalo, o número de casos saltou de 957 para 3.157. 

A alta de novos registros de contaminação já começa a pressionar a rede de assistência hospitalar. Atualmente, 56% das UTIs estão ocupadas. Nas enfermarias, o índice é de 45%. No cenário por macrorregiões, o Cariri tem a situação mais preocupante.

O Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, referência no atendimento a casos graves da Covid-19 para 45 municípios no Interior Sul do Estado, chegou a 100% de ocupação dos leitos de UTI nesta segunda-feira, 10. No total, são dez vagas ativas e todas estavam preenchidas até a última atualização do IntegraSUS, às 19h11min.

A presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), Sayonara Cidade, observa que se a região não conseguir conter o crescimento no número de casos positivos, que se mantém em crescente desde dezembro, é provável que a terceira onda da doença possa se tornar realidade no Cariri dentro de pouco tempo.

"Os municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha geram uma maior preocupação com relação ao crescimento do número de casos, porque são cidades muito conectadas com os demais municípios da região. Por isso pode haver superlotação dos hospitais, uma vez que todas as cidades do Cariri e Centro-Sul dependem do atendimento prestado na rede hospitalar do Crajubar [Crato, Juazeiro e Barbalha]", frisa a presidente do Cosems, em entrevista à jornalista Nildenia Damasceno, da rádio CBN Cariri. 

Sayonara ainda ressalta que, diante do crescimento dos casos de Influenza A, os cuidados com o coronavírus devem ser redobrados em prevenção à chamada coinfecção, que acontece quando uma pessoa contrai ao mesmo tempo o vírus da gripe e o da Covid-19. "Estamos com uma epidemia dentro de uma pandemia. É necessário a conscientização da população, pois se não for feito o controle, teremos mais um grande número de pessoas mortes", alerta.

LETÍCIA BORGES ESPECIAL/O POVO 

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