Consumo abusivo de álcool é crônico e provoca efeitos a médio e longo prazo


Muito presente nas festas de final de ano, resistir ao álcool durante o período é uma tarefa difícil. Apesar da pressão social, o consumo pode gerar dependência e acarretar em problemas a diversos aspectos do organismo, é o que alerta Sérgio Pessoa, gastroenterologista-chefe do Hospital Geral de Fortaleza e vice-presidente da federação brasileira de gastroenterologia.  

“O alcoolismo é caracterizado pela dependência e necessidade diária ou quase diária de ingestão de bebidas alcoólicas associada à incapacidade física ou psicológica da suspensão do hábito. Essa dependência crônica pode levar a alterações do comportamento, distúrbios neurológicos, carências nutricionais e doenças hepáticas e pancreáticas a médio e longo prazo”, explica o especialista.  

 Ainda de acordo com o profissional, o vício em álcool também se transforma em gatilho para sérios distúrbios psiquiátricos, entre eles a atrofia cerebral, convulsões e neuropatias. Em gestantes, o efeito é ainda mais nocivo e pode aumentar o risco de aborto ou de parto prematuro durante o período de gravidez.  

EFEITO RÁPIDO NO ORGANISMO  

O efeito intoxicante do álcool está relacionado a molécula de etanol. Quando ingerido, são necessários até 60 minutos para o etanol se espalhar pelo corpo inteiro, através da corrente sanguínea. Durante esse período, as moléculas de etanol tendem a atingir as células com grande concentração de água, presentes em órgãos como o cérebro, fígado, coração e rins.   

Com o consumo prolongado, a substância pode provocar disfunções nos órgãos, ocasionando a embriaguez e seus efeitos adversos como enjoos, vômitos, aumento da produção de urina, sonolência e arritmia.   

DIAGNÓSTICO DIFÍCIL  

Apesar da forte presença de bebidas alcoólicas na realidade dos brasileiros, é difícil reconhecer o vício, pois o comportamento acaba sendo, muitas vezes, incentivado e associado ao prazer e à diversão.  

Segundo o gastroenterologista, para haver um diagnóstico precoce, a frequência e quantidade de álcool ingerido devem ser observadas e relatadas por pacientes e familiares, sobretudo quando há dificuldade em se manter sóbrio.   

Além da dificuldade de abstinência, o médico alerta que outros sintomas como sonolência constante, fadiga, distúrbios alimentares e alteração frequentes no humor servem de indícios na hora de diagnosticar um paciente alcoólatra.  

“Qualquer indivíduo que apresente sinais de alcoolismo crônico, independente da gravidade, já merece avaliação e acompanhamento médico. Os casos mais graves em que a abstinência não é obtida com tratamento ambulatorial precisarão de internamento especializado”, pontua Dr. Sérgio.  

NÃO EXISTE CONSUMO IDEAL  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um padrão de consumo de álcool que seja “ideal” ou absolutamente seguro. A entidade recomenda um limite de até 15g de álcool por dia, o que equivale a 350 ml de cerveja, 40 ml de destilado ou 150 ml de vinho.  

Porém, essa média é variável para cada indivíduo e por vezes distante do que a sociedade realmente consome, explica Dr. Sérgio Pessoa. “A medida varia com o sexo, idade, nutrição, perfil genético e comorbidades de cada indivíduo. O álcool é uma droga socialmente aceita, que faz parte do entretenimento e convívio cotidiano. Barato, o álcool tende a ser utilizado por pessoas cada vez mais jovens e que pode trazer sérias consequências psíquicas, sociais e orgânicas”.   

DOSE DE ESPERANÇA  

Como forma de promover a conscientização e elucidar os efeitos do alcoolismo na saúde pública, trânsito e sociedade, o Sistema Verdes Mares apresenta até o dia 31 de dezembro o programa “Dose de Esperança”, com exibição na grade da TV Diário, nos horários 15h05 e 17h05.   

 O projeto conta com 10 programas de 30 minutos de duração, com a participação de especialistas médicos, autoridades e depoimentos reais de pessoas que superaram a dependência do álcool em suas vidas.

AGÊNCIA DE CONTEÚDO / DIÁRIO DO NORDESTE

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