Exigência de passaporte da vacina aumenta interesse de turistas em viagens para o Ceará

Familia Oliveira. Movimentação na Praia do Futuro no feriadão, com muito movimento, ambulantes. em epoca de COVID-19. | Foto:Aurelio Alves / Jornal O POVO

Sem recorde de movimentação, o feriadão da Proclamação da República no Ceará marcou o último fim de semana antes da obrigatoriedade da comprovação de vacina contra Covid-19 para entrada em bares, restaurantes e eventos. A determinação, porém, está sendo vista como um incentivo ao retorno de turistas ao Estado e não impactou as projeções otimistas para o fim de ano. 

Enquanto a ocupação hoteleira no Estado projeta ocupação entre 85% e 90% conforme a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (Abih/CE), as barracas da Praia do Futuro, ponto turístico da Capital calculam público de 400 mil pessoas entre a sexta-feira, 12, e a segunda-feira, 15. O fluxo de turistas no Estado neste feriadão aqueceu também o comércio informal e aumentou as expectativas do turismo cearense para a alta temporada deste fim de ano.

A presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Fátima Queiroz, afirma que as projeções são de uma "super temporada" e destaca que o segmento está "extremamente otimista" com o turismo do fim de ano. Como consequência desse otimismo, os empreendimentos da região projetam a geração de aproximadamente 600 postos de trabalho com foco no Natal, Ano Novo e Carnaval. 

"Nosso estado está muito bem, Covid está sendo controlada, as taxas de contaminação, casos e mortes estão baixando, isso dá credibilidade e as pessoas se motivam e confiam em vir e quem vem já pensa em retornar", acrescenta Fátima. 

Nos empreendimentos das praias de Fortaleza, a projeção dos empresários conforme a representante do setor é de que 70% dos visitantes sejam do interior do Ceará e 30% sejam turistas de estados vizinhos ou de outras regiões do País. Para o feriado, as barracas da Praia do Futuro registram faturamento 50% maior do que o de um fim de semana usual, apesar disso, empresários destacam que o consumo médio por mesa vem reduzindo diante da inflação. 

"As vendas estão melhores, temos muitas pessoas chegando nesse feriado. Tem gente de todo canto, muito misturado, tem gente de Salvador, de Goiânia, do Sul", destaca o vendedor ambulante Luiz Carlos Lima. Ele pontua ainda que o movimento ainda registra diferenças consideráveis a depender da barraca, mas que depois da vacinação, a presença de clientes tem aumentado. 

Com 41 anos, o cearense diz que a principal atividade desenvolvida por ele é a pesca, mas que durante feriados prolongados e alta estação complementa a renda com as vendas de mesa em mesa. "Todo mundo aproveita esses feriadões aí porque aqui vende de tudo.  Na semana tem barraca com quase ninguém, mas depois que vacinou contra essa doença 'véia' tá melhorando bastante", finaliza. 

Para os membros das famílias Arthur e D'Paula, do distrito de São Carlos, em Jucás, interior do Ceará, somente com a vacinação foi possível retornar os passeios fora da cidade. "É uma raridade a gente viajar, trabalhamos muito e com a pandemia foram bem dois anos sem sair de casa, então esse feriadão é pra relaxar e não existe litoral mais bonito que esse nosso", pontua o autônomo Antônio Marcos D'Paula.

Mesmo considerando um trabalho a mais a necessidade de comprovação da vacina sempre que precisar entrar em um estabelecimento no Estado, Marcos reforça que "tudo que for para nossa segurança é válido" e pontua se sentir mais confiante para retornar com a família e amigos para o litoral de Fortaleza. "Nesse feriado nós trouxemos até nosso amigo paulista e ficamos o dia todo na praia e vamos fazer mais isso porque graças à Deus estamos todos aqui vacinados e com isso dá para sair mais", complementa. 

A enfermeira Natália Oliveira, 35 anos, diz que o sentimento de segurança promovido pela vacinação foi o que fez ela retomar a rotina de viagens para o Ceará. "Antes da pandemia eu costumava vir de três em três meses, mais ou menos, como eu trabalho viajando, acabo sempre esticando um pouquinho e vindo para as praias do Ceará", complementa ao dizer que ama o litoral do Estado. 

Neste feriadão, Natália estava acompanhada da avó, mãe, pai e da sogra de seu irmão, todos do Piauí. "Estávamos em Canindé com a família, mas com todo mundo vacinado decidimos vir para a praia sem planejamento algum, apenas para relaxar", detalha.

Ela afirma ainda que a partir da exigência da vacinação para entrar nos estabelecimentos de alimentação fora do lar no Ceará se sentirá ainda mais segura para retomar as rotinas de viagens. "A gente fica mais tranquilo né, até porque eu achava que teria bem menos gente, mas me surpreendi, tinha muita gente vindo pra cá (Fortaleza) e muita gente na estrada também e nem todo munda usa máscara né, então com o comprovante a gente se sente mais seguro pra sair de casa", destaca. 

O POVO esteve na Praia do Futuro na manhã de sábado, 13, e ao percorrer algumas barracas da Praia do Futuro constatou chegada de três ônibus e quanto vãs de passeios turísticos desembarcando passageiros no litoral da Capital. O uso da máscara era fiscalizado pelas equipes de segurança das barracas que proibiam a entrada nos estabelecimentos sem o equipamento individual de proteção contra Covid-19. 

"Desde o início cumprimos todos os protocolos, preparamos nossa equipe, nossas casas, e colaboramos muito na conscientização. Quanto ao comprovante de vacinação, ainda não temos o formato para o controle, mas o fato das barracas serem totalmente abertas será um obstáculo para tal controle", finaliza Fátima sobre as medidas de prevenção ao coronavírus. 

ALAN MAGNO / O POVO

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