Suspeitos de matar coroinha no Ceará foram soltos horas antes do homicídio

Dois homens presos sob suspeita de participar do assassinato do coroinha Jefferson de Brito, de 14 anos, voltaram à liberdade poucas horas antes do homicídio. José Jorge de Sousa Oliveira e David Hugo Bezerra da Silva tinham sido detidos no dia anterior à morte do adolescente, sob suspeita de tráfico de drogas, na Barra do Ceará.

José Jorge e David Hugo já tinham antecedentes criminais. Devido à Covid-19 não foram realizadas audiências de custódia presencial. O Ministério Público do Ceará (MPCE) representou pela conversão da prisão em flagrante por prisão preventiva devido ao histórico da dupla.

A Defensoria Pública requereu imediato relaxamento das prisões afirmando ser possível aplicação de medidas cautelares. Em decisão proferida na vara de audiência de custódia ficou restituída a liberdade dos autuados. O juiz decidiu pelo monitoramento por meio da tornozeleira durante 90 dias.

Segundo a investigação, os localizadores dos equipamentos apontaram as presenças de José Jorge e David Hugo no dia e hora onde o coroinha foi brutalmente assassinado.

Consta nos autos que denunciantes anônimos apontaram os nomes dos suspeitos como envolvidos no homicídio de Jefferson. O coroinha possivelmente foi morto porque os suspeitos acreditavam que a vítima integrava uma facção rival. O que fez eles acreditarem nesta participação teria sido o fato da vítima ter três cortes na sobrancelha, símbolo da Guardiões do Estado (GDE).

Depoimentos

David negou à Polícia ser membro de facção criminosa, mas disse saber que dois cortes na sobrancelha simbolizam uma facção, enquanto três é sinônimo de pertencer a outro grupo. O suspeito negou ter participado do homicídio afirmando que no momento do crime estava em uma barraca de praia, tendo ido ao local apenas depois que populares anunciaram a 'morte de um garotinho'.

Já Jorge, que conforme a Polícia tem dois cortes na sobrancelha, afirma que no momento do crime estava junto a sua família, e ouviu disparos de arma de fogo, só tendo sabido depois que uma pessoa foi morta naquela área.

Com os suspeitos foram apreendidos anéis dourados que supostamente simbolizam participações na facção Comando Vermelho (CV), predominante onde aconteceu o homicídio.

Para não atrapalhar o andamento das investigações e também manter a ordem pública, a Justiça estadual decidiu manter as prisões dos suspeitos. Os flagrantes foram convertidos em prisão preventiva, e mesmo com o pedido da defesa pela soltura, David e Jorge, agora, permanecem encarcerados.

EMANOELA CAMPELO DE MELO / DIÁRIO DO NORDESTE

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