Internações por Síndromes Gripais Graves caem 96% em relação ao pico da pandemia de Covid-19 no Ceará

Adesão ao isolamento social é apontada como principal fator para a melhora de índice. — Foto: Thiago Gadelha/Sistema Verdes Mares

Os casos de internação por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Ceará, na última semana de julho, são 96% menores do que os registrados na primeira semana de maio, quando o sistema Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra o pico de hospitalizações no estado. Em números absolutos, a redução é 28 vezes inferior.

O Ceará já acumula 189.023 casos de Covid-19 desde o início da pandemia no estado, em março, além de 7.994 óbitos. Os dados são da última atualização da plataforma IntegraSUS, alimentada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), às 17h12 desta segunda-feira (10). Ao todo, 162.030 foram consideradas recuperadas da infecção.

Dados do Infogripe mostram que a semana epidemiológica 19, entre 3 e 9 de maio, registrou 1.883 casos internados por SRAG, valor 49 vezes acima dos 38 da mesma semana de 2019. Já na semana 31, entre 27 de julho e 1º de agosto deste ano, foram apenas 66 registros.

As informações mostram como a Covid-19 exerceu pressão assistencial das redes de saúde. Ao todo, os casos registrados entre janeiro e julho de 2020 são 22 vezes maiores que os registrados no mesmo período do ano passado. Foram 15.796 ocorrências neste ano contra 716 no intervalo anterior.

A médica Magda Almeida, secretária-executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, considera que 2020 é um ano atípico de epidemia, portanto é lógico que “teremos um número maior de síndromes gripais e respiratórias agudas graves”.

“Isso não significa que a gente esteja numa segunda onda, porque para isso precisamos comparar com semanas anteriores desse mesmo ano. Nossa análise de reabertura e controle de óbitos se faz assim, não comparando com o ano passado”, assegura.

Instabilidade

Infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Robério Leite reforça que a adesão dos cearenses ao isolamento social decretado pelo governo do estado foi importante para desacelerar a velocidade de transmissão da doença.

“Se começamos a diminuir a taxa de incidência em um determinado local, começamos a ter uma curva de declínio. Menos pessoas estão sendo infectadas e menos precisam de atenção. O isolamento era para diminuir a velocidade de transmissão e a taxa de incidência”, destaca.

Contudo, o especialista qualifica o cenário epidemiológico como “instável” para garantir a continuidade dos bons indicadores e registros em queda. “À medida que a gente vai voltando ao normal, com menos cuidados, os números vão mudando”, explica. Atualmente, Fortaleza está na fase 4 da retomada de atividades econômicas.

O último boletim do Observatório Covid-19, também da Fiocruz, indica “situação de alerta para todo o país”, incluindo o Ceará. Nas últimas semanas, por conta da “grande flutuação no número de casos” e aumentos localizados em determinadas áreas, os pesquisadores recomendam avaliar com maior atenção a flexibilização do isolamento, a interiorização da pandemia e a disponibilidade de testes para detectar a doença.

Atenção ao segundo semestre

Magda Almeida, da Sesa, nota que o coronavírus segue um fluxo semelhante à influenza. “Ele entrou aqui na nossa quadra invernosa e, quando começamos a entrar em outra estação, diminuiu. Parece ter relação com a sazonalidade, mas não dá pra falar com certeza”, afirma.

O segundo semestre no Ceará é caracterizado por menor ocorrência de chuvas, baixa umidade do ar e tempo mais seco, além da diminuição de quadros gripais. Porém, para o infectologista Robério Leite, ainda é incerto definir como a Covid-19 vai agir.

“Nada impede que a gente tenha novos picos mais para frente. Os vírus respiratórios podem ocorrer o ano todo. Como a Covid-19 vai se comportar, realmente é muito difícil de dizer. Quando você observa uma pandemia, isso muda, é realmente imprevisível”, observa o médico.

G1/CE

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