Iniciada segunda fase da Pesquisa de Soroprevalência em Sobral


Pouco depois das 9h desta terça-feira (4), Rosângela de Melo, 53, recebeu em sua casa a equipe da pesquisa epidemiológica que investiga a evolução da Covid-19 em Sobral. É a segunda fase da Pesquisa de Soroprevalência em Sobral, promovida pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), em parceria com a Prefeitura de Sobral e execução do Instituto Opnus. Nesta nova fase, serão realizados 800 testes RT-PCR (Swab) na população. Na primeira fase da pesquisa, outras 800 pessoas passaram por testes rápidos e RT-PCR.

Antes da visita, Rosângela já sabia que o levantamento estava sendo realizado na cidade. “É muito importante para que os governantes possam ter o controle de quem tem ou já teve a doença”, avalia.

O levantamento ocorre em 40 territórios de Sobral. O sorteio das ruas aconteceu de forma aleatória e estatística, segundo a supervisora de campo da pesquisa de soroprevalência de Sobral, Maria Rosário Feijão Ximenes. Ao chegarem aos domicílios selecionados, mais uma vez é realizado um sorteio para definir a pessoa que passará pela testagem. “Utilizamos sorteios aleatórios para garantir estatisticamente a representatividade da população em relação a sexo e idade”, explica. Além da testagem, a equipe também aplica um questionário para os pesquisados, que inclui dados pessoais e socioeconômicos.

No caso de pessoas com menos de 18 anos e de incapazes, os testes acontecerão mediante autorização dos pais ou do responsável. A pesquisa é importante para avaliar e ampliar o controle epidemiológico nos municípios e orientar as políticas públicas de prevenção e combate à Covid-19. O diretor do Instituto Opnus, Pedro Barbosa, ressalta que é fundamental a abertura da população. “O principal fator da pesquisa é a receptividade das pessoas. Pedimos que a população se sinta segura em receber os pesquisadores e caso seja sorteada uma criança, que possa permitir que seja realizado o teste. É uma necessidade de saúde pública para investigar a circulação viral em toda a população”, completa.

Foram capacitados na segunda-feira (3), 30 profissionais de saúde entre enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas e farmacêuticos passaram. Eles receberam treinamento para a realização dos testes RT-PCR, além dos procedimentos de biossegurança. O treinamento aconteceu no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Vale do Acaraú (UVA) facilitado pelo Instituto Opnus e por profissionais do Posto de Coleta do Hospital Dr Estevam.

Adesão

A professora e comerciante Regina Cunha, 62, ressalta que o trabalho de investigação da doença é importante, mas a população também precisa aderir às medidas de prevenção. “Essa pesquisa está sendo fundamental, mas o problema é que as pessoas nem sempre colaboram”, explica. Regina ressalta que está cuidando da higiene da casa e da loja, além de higienização das mãos e uso de máscara.

Com um irmão em isolamento residencial por suspeita de Covid-19, a auxiliar de serviços gerais Antônia Maria de Oliveira Gomes, 46, já teve dois parentes próximos diagnosticados. Sem sintomas característicos da doença e com a hipertensão controlada, Antônia foi selecionada para participar da pesquisa. “A pandemia mudou demais a nossa rotina, mexeu com todo mundo”, avalia. Segundo ela, a pesquisa é importante não apenas pela testagem da população, mas também porque “ajuda as pessoas a ficarem mais informadas sobre a doença”, completa.

A enfermeira da prefeitura Jakeline Neris Pessoa também atuou na primeira fase da pesquisa de soroprevalência. Segundo ela, a equipe está mais preparada nesta segunda fase e a população está mais receptiva. Além da coleta de swab, as visitas também contemplam orientação da população. “Orientamos o uso de máscaras, lavagem das mãos, uso de álcool em gel, evitar aglomerações. A população já está mais consciente”, avalia.

A estudante de biomedicina Natália Ferreira, 26, participou pela primeira vez dando apoio à pesquisa. “É uma experiência muito importante para mim por ter esse contato com a população e fazer parte dessa pesquisa”, ressalta. A equipe também contempla agentes comunitários de saúde, como Henrique Freire, 26. “Nós agentes de saúde somos um rosto familiar para a população que se sente mais segura de abrir as portas aos pesquisadores”, completa.

Testagem

A segunda fase do inquérito sorológico em Sobral utiliza o RT-PCR, que é um teste de biologia molecular capaz de detectar a presença do vírus no paciente. São coletadas amostras de secreção do fundo do nariz por meio da introdução de um swab (cotonete). As amostras para o RT-PCR são encaminhadas ao LACEN para análise e os resultados ficam prontos após alguns dias.

Ricristhi Gonçalves explica que ao usar a metodologia do RT-PCR, os pesquisadores buscam partículas do DNA viral. “O RT-PCR é uma metodologia que busca partículas do DNA viral para perceber se o vírus está presente nas amostras. Na primeira fase do inquérito, Sobral teve pelo menos 23% das amostras positivas, mais do que Fortaleza. Precisamos saber nesse segundo momento em que Sobral já está tendo uma certa flexibilização como está a situação. Essa informação vai orientar os próximos passos sem dúvida alguma para o município e para a região”, avalia.

CEARÁ.GOV

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