Em Sobral, projeto impulsiona empreendedorismo feminino

Quando uma mulher empreende e gera renda para si, vira dona de sua própria história e tem muito mais chances de interromper ciclos de violência doméstica. Por isso, fomentar o empreendedorismo feminino é contribuir para que mais mulheres sejam protagonistas da própria vida. Foi mirando nestas mulheres, mas não se limitando a este perfil, que o Sebrae-CE, em parceria com a Prefeitura de Sobral, iniciou o Projeto Mulheres Empreendedoras, naquele município.

A iniciativa começou no ano passado, no Centro de Referência da Mulher (CRM), que acolhe vítimas de violência doméstica. A ideia foi criar um projeto que estimulasse o empoderamento feminino, gerando oportunidades de trabalho e renda para as mulheres atendidas. “Era feito um atendimento básico a mulheres vítimas de violência, mas nenhum trabalho na questão econômica, para empoderar as mulheres, dar oportunidade de trabalho e de renda, para que elas não ficassem à mercê dos seus companheiros”, afirma Suilany Teixeira, articuladora do Escritório Regional Norte do Sebrae-CE.

O projeto foi lançado em julho do ano passado com um evento para as mulheres cadastradas, durante o qual foi feito um trabalho que pudesse focar na autoestima delas. Nos meses seguintes, foram realizadas ações de caráter social, profissional e voltadas para a gestão de negócios. “Trabalhamos estratégia de vendas, de divulgação e controles financeiros, para que elas entendessem que estavam ganhando o dinheiro do negócio e não o da casa”, acrescenta a articuladora do Sebrae.

Oportunidades

Inicialmente, o projeto visava atender 50 mulheres, mas o número quase dobrou, e hoje 91 empreendedoras são acompanhadas. “Nossa ideia inicial era trabalhar mulheres atendidas pelo CRM, vítimas de violência doméstica, que precisavam encontrar oportunidade para saírem dessa condição. Mas percebemos que outros perfis foram se incorporando, como o de mulheres que já eram donas do negócio, ou que não eram vítimas de violência, mas queriam colocar seus negócios. Por isso, as acolhemos e não fizemos distinção entre perfis”, explica Suilany Teixeira.

Além de dar oportunidade para que mais mulheres ampliassem as possibilidades de renda, o programa contribuiu para que elas se tornassem donas do negócio. “Houve um aumento de 10% no número de mulheres que se formalizaram. Tínhamos no início de junho, com base nos dados do Portal do Empreendedor, 2.941 mulheres formalizadas. Em dezembro de 2019, chegamos a 3.231, quase 10% de incremento”, comemora Suilany Teixeira. “Claro que não é só por conta do programa, mas ele deu um grande impulso na formalização dessas mulheres de Sobral, para fazer com que esse índice de formalização se acentuasse”, avalia a gestora.

Com as atividades presenciais suspensas por conta da pandemia, o projeto tem promovido ações de forma virtual. Mas, para além de um programa, o objetivo é que o projeto se torne uma política pública municipal. “A ideia é formar uma rede forte de mulheres empreendedoras e empoderadas. O objetivo nunca foi gerar competição entre homens e mulheres, mas fazer com que a mulher acredite no seu potencial, que ela pode, precisa e merece”, finaliza a articuladora do Sebrae-CE.

SEBRAE/CE

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