Novo foco de coronavírus na China expande quarentena para mais 10 bairros de Pequim


A capital chinesa registrou 36 novas contaminações nas últimas 24 horas, aumentando os temores de uma segunda onda de infecções no país. Dez novos bairros residenciais de Pequim foram colocados em quarentena a partir desta segunda-feira (15) e os controles no setor alimentar foram reforçados após a descoberta de um novo foco de coronavírus em um dos mais importantes mercados da cidade, informa o correspondente da RFI na China, Stéphane Lagarde.

O correspondente da RFI diz que os internautas chineses tentam encarar a nova situação com humor e publicam textos fazendo uma ligação com o início da pandemia na China, em um mercado de Wuhan, em dezembro. "Morcego, pangolim, agora o salmão e sempre a mesma tábua para cortar as carnes", diz um dos posts.

Mas desde a descoberta de indícios da Covid-19 em uma barraca de peixe de um mercado do distrito de Fengtai, ao sul de Pequim, a situação preocupa as autoridades sanitárias que iniciaram uma corrida contra o relógio para conter o coronavírus no setor de produtos frescos.

Elas tentam identificar as pessoas que visitaram recentemente o local. Dos 49 novos contágios do novo coronavírus registrados nas últimas 24h no país, 36 ocorreram em Pequim.

Testes em massa

Pequim começou a fazer exames rigorosos no mercado distrital, assim como nas pessoas que vivem próxima ao local e em qualquer cidadão que visitou a área nas últimas semanas. As autoridades anunciaram que planejam organizar testes com 46.000 residentes. Mais de 10.000 pessoas já foram submetidas a exames.

Onze bairros residenciais próximos ao mercado já estavam isolados e várias cidades advertiram os moradores a não viajar a Pequim. As autoridades também intensificam os esforços para rastrear quem visitou o mercado, com o envio de mensagens aos cidadãos para questionar seus deslocamentos recentes.

Nesta segunda-feira, o funcionário municipal Li Junjie informou em uma entrevista coletiva que novos casos foram detectados e relacionados com outro mercado, o de Yuwuandong, no distrito de Haidian. Todas as escolas foram fechadas e os moradores de 10 bairros próximos receberam instruções para permanecer em confinamento.

Segundo o jornal Beijing News desta segunda-feira, ao todo seis mercados foram fechados provisoriamente na capital.

Inconsciente coletivo

“Em função do fechamento dos grandes centros de abastecimento, alguns produtos não são encontrados e os preços aumentaram", explicou uma comerciante do mercado de Tianfengli de Pequim, à RFI. Ela disse que todos os produtos, inclusive os legumes, estão sendo afetados. "Ontem, não tínhamos mais nabo. É um período muito estressante”, lamentou.

O caso é ainda mais preocupante porque o coronavírus reaparece em Pequim pela cadeia alimentar. No inconsciente coletivo, a reincidência lembra Wuhan, mesmo se nos últimos seis meses a China aprendeu muito sobre a Covid-19 e há poucas chances que a situação original se reproduza, afirmam epidemiologistas chineses.

Mas as imagens de agentes sanitários, vestidos de branco e buscando com cotonetes indícios do vírus nos mercados, inclusive nas entranhas dos crustáceos, difundidas pelas redes sociais alimentam o temor da população.

Salmão retirado de restaurantes e supermercados

"Apesar da contaminação pelo consumo de peixe ser quase improvável de acordo com os especialistas, os supermercados e restaurantes retiraram o salmão dos cardápios e das prateleiras", indica o Global Times.

Após dois meses de pausa da epidemia, os moradores de Pequim passaram a ser vistos como fonte de contágio. Agora, são eles que devem respeitar quarentena obrigatória de quatorze dias quando viajam a outras regiões do país. Por exemplo, em Sichuan, no oeste da China, desde domingo (14) os habitantes dos bairros da capital considerados focos da doença são alojados em centros de quarentena coletivos.

 Ao todo, 177 pessoas estão contaminadas atualmente com o novo coronavírus na China, duas delas em estado grave.

RFI

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