Bolsonaro vê ‘equívoco’ de Decotteli, mas exalta ‘honradez’ do novo ministro


O presidente Jair Bolsonaro publicou mensagem enigmática depois de reunião com Carlos Alberto Decotelli Silva ontem (29). O novo ministro da Educação, nomeado semana passada, foi acusado nos últimos dias de mentir em seu currículo e de plagiar em sua dissertação de mestrado.

Bolsonaro citou “inadequações curriculares” e disse que Decotteli “está ciente de seu equívoco“, e que “não pretende ser 1 problema para a sua pasta“.

“Desde quando anunciei o nome do professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez. Por inadequações curriculares, o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos“, publicou o presidente.

A cerimônia de posse de Decotelli estava prevista inicialmente para ocorrer nesta segunda-feira (29), mas o Planalto informou no início da tarde que não há data para isso ocorrer.

Decotelli é oficial da reserva da Marinha. Ele presidiu o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) de fevereiro a agosto de 2019. Nesse período, viu a CGU (Controladoria Geral da União) apontar suspeita de irregularidades em uma licitação de R$ 3 bilhões.

Desde que foi escolhido para comandar o MEC (Ministério da Educação), na semana passada, vários questionamentos sobre seu passado surgiram. Eis abaixo uma relação:
  • licitação suspeita quando presidiu o FNDE;
  • acusado de plágio em dissertação de mestrado;
  • universidade argentina diz que ele não tem doutorado;
  • ministro muda currículo pela 1ª vez depois de universidade argentina alertar sobre seu doutorado incompleto;
  • universidade alemã informa que ministro não tem pós-doutorado;
  • ministro muda currículo pela 2ª vez depois da informação de que não tem pós-doutorado.
As inconsistências no currículo de Decotelli chegaram a ser exaltadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Ele leu, em live na última quinta-feira (25), a versão do currículo do novo ministro com os títulos posteriormente desmentidos.

Decotelli foi escolhido para assumir o MEC com a missão de “pacificar” a pasta. Isso porque tinha extenso currículo, e seu antecessor, Abraham Weintraub, acumulou polêmicas com Legislativo e Judiciário.

Weintraub chamou os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de “vagabundos“. Teve atritos com as universidades, tentou mudar o processo de escolha de reitores (mais de uma vez), gravou vídeo de guarda-chuva dentro do gabinete contra uma “chuva de fake news“, comandou 1 Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) com erros de correções e teve que prestar depoimentos na Câmara e no Senado.

Ao informar sobre o substituto de Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro escreveu nas redes sociais:

“Informo a nomeação do Professor Carlos Alberto Decotelli da Silva para o cargo de Ministro da Educação. Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela UERJ, Mestre pela FGV, Doutor pela Universidade de Rosário, Argentina e Pós-Doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.”

MAURÍCIO FERRO / PODER 360

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