Cremec classifica como "genéricas" denúncias de fraude em atestados de óbito por Covid-19 no Ceará

Fachada da sede do Cremec, no bairro Joaquim Távora (Foto: Mauri Melo / O POVO)

O Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) considerou como “genéricas” supostas denúncias realizadas ao Sindicato dos Médicos de que profissionais da medicina estariam sendo pressionados a classificarem óbitos como suspeitas de Covid-19. Por meio de nota divulgada nesta quinta-feira, 14, a entidade afirmou que suposições “maculam” a categoria e reafirmou a autonomia dos profissionais.

De acordo com documento, as informações passadas pelo Sindicato sugerem “submissão passiva dos profissionais” ao supostamente manipularem óbitos por ordens de terceiros. “Macula a categoria médica como um todo, em sua honra e dignidade, ao inferir que os médicos estariam aceitando cometer "tamanha transgressão ética”, afirma ainda o conselho, em nota.

O Cremec também reforçou que o profissional da medicina tem “absoluta autonomia em exercer a função” e não pode, em nenhuma circunstância, “renunciar a essa liberdade”. Quantos ao fato de que as supostas denúncias foram realizadas ao Sindicato, o Conselho afirmou que o apontamento de falhas e normas internas deve ser feito a eles, para que o órgão possa tomar as devidas medidas.

As supostas denúncias também repercutiram entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Ceará. Durante sessão remota realizada da tarde desta quinta-feira, deputados defenderam que o sindicato apresentasse provas sobre denúncias que afirmou ter recebido. O presidente da casa, José Sarto (PDT), afirmou ainda que está sendo protocolado pedido para que a Assembleia tenha acesso à peça jurídica apresentada ao MPCE pelo órgão.

Durante debate, o deputado estadual André Fernandes (PSL) foi apontado como “pivô” da desconfiança sobre o trabalho dos médicos no Ceará, uma vez que o parlamentar acusou publicamente o secretário da saúde do Estado, Dr. Cabeto, de fraudar atestados de óbitos como forma de “inflar” estatísticas sobre o novo coronavírus  no Ceará.

GABRIELA ALMEIDA / O POVO ONLINE

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