Ronaldinho Gaúcho preso no Paraguai: o que se sabe até agora

RONALDINHO GAÚCHO E ASSIS SÃO PRESOS APÓS ORDEM DA JUSTIÇA DO PARAGUAI (Foto: NORBERTO DUARTE / AFP)
O ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis foram detidos em Assunção, no Paraguai, na última quarta-feira, 4, por uso de documentos falsos. Desde então, uma série de acontecimentos tornaram o episódio confuso de ser acompanhado: detenção em hotel, liberdade provisória, outras pessoas presas, ligação com outros possíveis crimes... Acompanhe a lista abaixo para entender o caso passo a passo.

Janeiro de 2015: Ronaldinho e Assis são condenados por multa ambiental
Ronaldinho Gaúcho e o irmão Assis foram condenados por dano ambiental após construírem, sem licenciamento, um trapiche e um deque na beira do lago Guaíba, em Porto Alegre (RS). A multa foi fixada em R$ 800 mil.

Novembro e dezembro de 2018: Apreensão de bens e passaportes de Ronaldinho e irmão
Devido ao não pagamento da multa de 2015, a Justiça determinou em novembro de 2018 a busca e apreensão de bens do ex-jogador e de seu irmão, tendo confiscado três carros de luxo e obras de arte. No mês seguinte, a dupla, que estava em viagem ao exterior, teve seus passaportes retidos no desembarque, sendo proibida de deixar o País.

Setembro de 2019: Regularização dos documentos de Ronaldinho e Assis
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) informou à Agência Brasil, os irmãos fizeram nesse mês um acordo para o pagamento da multa, já com valor de R$ 8,5 milhões devido aos juros, para reaver os passaportes. A situação de ambos estaria, portanto, regularizada.

4 de março de 2020: entrada no Paraguai e detenção de Gaúcho e irmão
Ronaldinho e Assis chegaram a Assunção na manhã da última quarta-feira. Eles já portavam os documentos adulterados, que foram apresentados aos agentes de imigração. Os oficiais estranharam, mas autorizaram a entrada de ambos no país. Como o Paraguai e o Brasil fazem parte do Mercosul, é possível viajar entre eles apenas com o documento de identidade.

Ronaldinho afirmou ter sido convidado ao país, juntamente do irmão e do empresário Wilmondes Sousa Lira, pelo brasileiro Nelson Belotti, dono do cassino Il Palazzo. Já no Paraguai, a empresária Dalia López Troche teria convidado o ex-jogador para participar de um evento beneficente.

Horas mais tarde, já hospedados na suíte presidencial do Resort Yacht e Golf Club, na cidade de Lambaré, próxima à capital Assunção, os irmãos e o empresário foram alvo de uma operação com policiais e membros do Ministério Público paraguaio. Foram encontrados os passaportes e cédulas de identidade adulterados, sendo apreendidos também os celulares dos três.

5 de março: custódia em hotel no Paraguai e foto de Ronaldinho com comandante
Os irmãos passaram a noite sob custódia da polícia paraguaia em um hotel em Assunção, sem estarem, no entanto, presos. Na manhã da quinta-feira, 5, prestaram depoimento ao Ministério Público do Paraguai. Segundo o advogado da dupla, Sérgio Queiroz, o documento brasileiro de Ronaldinho estaria regularizado e a situação seria um "equívoco".

Antes de prestar depoimento, o ex-jogador posou para foto com o comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Assunção. A imagem foi publicada pelo próprio comissário, que apagou o retrato e pediu desculpas após a repercussão.

Ainda na noite da quinta-feira, os irmãos admitiram o erro em relação aos documentos e foram liberados pela promotoria, que resolveu não indiciá-los por entender que haviam sido "enganados em sua boa fé", segundo o portal G1. A decisão de não abrir processo contra os irmãos foi tomada pela promotoria com base no "critério de oportunidade", recurso da lei paraguaia que libera suspeitos que admitam o delito e não tenham antecedentes criminais no país.

Segundo o Ministério Público do Paraguai, os passaportes e cédulas de identidade apreendidos com os irmãos eram legítimos, mas de outras pessoas. Os documentos foram adulterados com os dados de Ronaldinho e Assis.

O empresário Wilmondes, que acompanhava a dupla, além das paraguaias María Isabel Galloso e Esperanza Apolonia Caballero, donas dos documentos adulterados, foram presos. Wilmondes foi apontado pela defesa dos irmãos como responsável pelos passaportes e células de identidade, enquanto o empresário acusa Dalia, que havia convidado Ronaldinho ao evento beneficente, de ter fornecido os documentos.

6 de março: ordem de prisão contra Ronaldinho Gaúcho e Assis
Responsável pela decisão final sobre o processo, o Juizado Penal de Garantias do Paraguai não aceitou a posição do Ministério Público de não indiciar os irmãos. O juiz Mirko Valinotti devolveu o processo à Procuradoria Geral do Paraguai, que na noite da sexta-feira, 6, pediu a prisão de Ronaldinho e Assis. Eles haviam deixado o tribunal de Assunção e se encaminhavam ao hotel Sheraton, onde estavam hospedados na capital, e foram presos ao chegar ao estabelecimento.

Ronaldinho gaúcho e seu irmão Assis: de documentos adulterados a hipótese de lavagem de dinheiro (Foto: Norberto DUARTE/ AFP)

7 de março: Ronaldinho e irmão algemados
Levados ao complexo da Agrupación Especializada da Polícia Nacional do Paraguai na noite de sexta-feira, na manhã do sábado, os irmãos apareceram algemados a caminho do tribunal para outra audiência.

A promotoria solicitou a continuidade da prisão de ambos devido à alta possibilidade de fuga. Eles haviam comprado passagens de volta ao Brasil para a manhã de sábado. A juíza plantonista Clara Ruiz Diaz acatou o pedido de prisão preventiva, que pode se estender por até seis meses enquanto os irmãos aguardam a conclusão das investigações.

A defesa da dupla havia solicitado prisão domiciliar, que foi negada pois, segundo a promotoria, eles entraram no Paraguai de forma ilegal, não possuindo nenhum vínculo emocional ou financeiro com o país, tampouco residência fixa.

8 de março: outros crimes de Ronaldinho Gaúcho e Assis
Neste domingo, 8, o Ministério Público paraguaio pediu a ampliação das investigações para saber se os irmãos teriam cometido outros crimes. O promotor que solicitou a prisão preventiva, Osmar Legal, pertence à Unidade Especializada em Delitos Econômicos do Ministério Público, levantou a hipótese de que Ronaldinho e Assis possam ter envolvimento com lavagem de dinheiro.

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