Possibilidade de epidemia de dengue no Ceará mobiliza Plano de Enfrentamento às Arboviroses


O ano de 2020 será marcado pelas ações de enfrentamento às arboviroses (dengue, chikungunya e zika). Em um cenário não apenas local, as previsões do Ministério da Saúde é de possibilidade de surto de dengue em alguns estados do Nordeste, além do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. O Ceará, um dos estados que apresenta suscetibilidade ao vírus, registrou em 2019, mais de 15 mil casos de dengue e 13 óbitos pela doença. Na busca pelo combate à proliferação do Aedes aegypti na Capital, a prefeitura de Fortaleza lançou nesta terça-feira, 21, o Plano Municipal de Enfrentamento às Arboviroses para o ano de 2020.

Com objetivo de eliminar os vírus presentes no sorotipo 2, um dos quatro da classe da dengue, as ações devem dar continuidade a projetos já realizados pela prefeitura. A novidade, divulgada pela Secretaria da Saúde, é o sistema de informação para corte de transmissão. De acordo com a secretária da pasta, Joana Maciel, o modelo deve começar a funcionar em breve. “A gente tem hoje em todos os postos de saúde e todas as UPAs um sistema de informação com prontuário eletrônico vinculado ao nosso sistema de vigilância. Então toda vida que o profissional de saúde suspeitar de dengue, zika ou chikungunya, a gente vai saber em tempo real onde é que está essa suspeita. Como esse cadastro tem um endereço, assim que houver um número de casos elevado em determinada região da cidade, a gente pode ser muito assertivo e realizar corte de transmissão naquela área”, explica.

Entendendo que o período de chuvas também é um dos indicadores que acarreta na proliferação do vírus, o prefeito Roberto Cláudio anunciou que entre fevereiro e fim de maio (meses que marcam a quadra chuvosa na Capital), haverá aumento de dois profissionais da saúde em cada UPA, sendo um médico e um enfermeiro.

Iniciativas já realizadas pela gestão na Capital também devem ser mantidas. Segundo Joana Maciel, haverá uma intensificação nas campanhas de publicidade (rádio, TV, internet), manutenção do Levantamento de Índice Rápido Amostral ao Aedes aegypti (Liraa), além das visitas de agentes sanitários em imóveis (casas e comércios).

Apesar de reconhecerem o papel dos órgãos públicos no combate ao Aedes aegypti, tanto o prefeito Roberto Cláudio como a secretária Joana Maciel, reforçaram que a população também pode e deve vistoriar as suas residências.

Cuidados dentro das casas e apartamentos:

Tampe os tonéis e caixas d’água;

Mantenha as calhas sempre limpas;

Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo;

Mantenha lixeiras bem tampadas;

Deixe ralos limpos e com aplicação de tela;

Limpe semanalmente ou preencha pratos de vasos de plantas com areia;

Limpe com escova ou bucha os potes de água para animais;

Retire água acumulada na área de serviço, atrás da máquina de lavar roupa.

Área externa de casas e condomínios:

Cubra e realize manutenção periódica de áreas de piscinas e de hidromassagem;

Limpe ralos e canaletas externas;

Atenção com bromélia, babosa e outras plantas que podem acumular água;

Deixe lonas usadas para cobrir objetos bem esticadas, para evitar formação de poças d’água;

Verifique instalações de salão de festas, banheiros e copa.

Dengue no Ceará:

A possibilidade de epidemia de dengue no Estado ocorre cinco anos após a última epidemia registrada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). De acordo relatório elaborado pelo órgão, o Estado já vivenciou sete anos de epidemias de dengue:1987, 1994, 2001, 2008, 2011, 2012 e 2015.

Segundo o gerente da Cédula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza, Antônio Silva Lima Neto, o motivo para o alerta se dá devido à complexidade do vírus da dengue. Enquanto as outras arboviroses (chikungunya e a zika) só tem um sorotipo, o paciente só pode ser infectado uma vez; já a dengue pode atingir a mesma pessoa quatro vezes, todas com sorotipos diferentes.

Dessa vez, de acordo com estudos, a probabilidade é de que o surto possa ser de dengue tipo 2. “O dengue tipo 2 voltou agora para o Brasil depois de aproximadamente 12 anos que ele não circulava. Então se tem uma população que nasceu durante esse período e também uma população que nunca teve contato com o vírus, está suscetível. Então por isso que se tem essas grandes epidemias".

Ainda de acordo com Lima Neto, não há nada comprovado, cientificamente, que indique que o dengue tipo 2 é necessariamente mais violento que os outros sorotipos. O que existe, segundo ele, são descrições do surto em alguns países que indicam que a segunda infecção, seja ela qual for, tende a ser mais severa do que a primeira.

KAMILLA VASCONCELOS / O POVO ONLINE

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