Mesmo com chuva 5,9% acima da média, seca avança no CE em 2019

Chuva e trânsito no primeiro dia do ano em Fortaleza mais precisamente ao longo da Av. Domingos Olimpio
A expectativa da estudante de música Larissa Macedo, 22, para quadra chuvosa deste ano é otimista. A jovem mora em Iguatu, distante 361,8 km de Fortaleza, localizado no Sertão Central, e tem a rotina atravessada pelo racionamento de água na região. O volume de água no município observado foi 25% abaixo do esperado em 2019. Apesar de o observado, 847,9 milímetros, em todo o ano, ter sido 5,9% acima do normal. Hoje, àquela área é um dos pontos de seca extrema no Ceará. Até novembro, 91,85% do território cearense apresentava algum nível na situação.

"A gente ter problema com mobilidade quando chove além do esperado. Como é uma região que tem pouca chuva, já que não é projetada para isso. Espero que com a chuva, quem trabalha com agricultura familiar consiga colher o seu", reflete.

Conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, metade dos meses do último ano registraram precipitações acima do do esperado. Fevereiro, no início do estação chuvosa, teve a maior diferença, 45,3% além. Municípios do Litoral Norte do estado tiveram os maiores volume. À época, a cidade de Acaraú registrou 507.6 milímetros, 216.7% acima da média esperada para o período. Seguido dos de Jijoca De Jericoacoara ( 199,8%), Itarema (168,1%), Cruz (177,5%) e Camocim (123,1%).

Situação contrária ocorreu em agosto, quando a diferença no Estado foi negativa, 81,1%. No total, não choveu em 113 municípios dos 184 cearenses. As regiões mais afetadas foram Cariri, Ibiapaba e Jaguaribana. Depois dessas, a que teve o maior desvio negativo da média esperada foi Quixeramobim, com 98.3.

Naquele mês, dos 0,6 milímetros esperado, caiu volume de 5,5 em Penaforte, na região do Cariri. O pouco registrado representou 785,2% acima da média. Sendo o maior do período.

Conforme dados dados do Portal Hidrológico do Ceará, as duas regiões que abastecem o principal reservatório do estado, o Açude Castanhão, registraram volume de água abaixo do esperado no ano passado. Em Alto Jaguaribe, o observado foi de 560,5 mm quando o normal é de 653,9 mm. Já em Salgado, choveu 77,6 mm. A média lá é de 862,3. O desvio foram de 14,3% e 9,8% abaixo da média esperada.

A pouca chuva reflete diretamente no abastecimento do Castanhão, localizado no leito do rio Jaguaribe. Em 30 de dezembro, o volume de água no equipamento água era de 2,81% da capacidade, conforme dados da Companhia De Gestão Dos Recursos Hídricos (Cogerh).

De acordo com o relatório do órgão, não há açude sangrando. Apenas o Germinal está com 90% da capacidade ocupada. Outros 31 estão em volume morto e 13 estão secos. O aporte de água total do Ceará é de 2,84 bilhões de metros cúbicos até o penúltimo dia de dezembro; apesar de pouca, a quantidade é a maior registrada desde 2012. A quadra chuvosa no Ceará inicia em fevereiro e vai até o fim de maio. Para 2020, a previsão oficial da Fundação Cearense órgão será divulgada no fim de janeiro. (Colaborou Júlia Duarte)

ÍTALO COSME / O POVO ONLINE

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