Chefes de facções rivais presos no Ceará são primos e já atuaram juntos em ações criminosas


Os primos José Fabiano Nunes de Alencar e Francisco Patrick Alencar Amaral foram alvos de mandados de prisão preventiva, cumpridos em operações deflagradas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), na quarta-feira (11). Informações obtidas pelo G1 revelam que os dois atuavam juntos anos atrás, mas viraram chefes de facções nacionais rivais, em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), após um desentendimento entre eles.

Antes do conflito, os dois homens pertenciam a uma quadrilha que foi desarticulada em uma ação da Polícia Militar, também em Pacajus, em setembro de 2012, por suspeita de homicídios, tráfico de drogas e roubos. Fabiano era quem comandava o bando e ordenava os crimes, mesmo preso. E Patrick era o 'homem de confiança' do primo, que repassava as ordens ao demais criminosos.

Após uma briga, e com a chegada das facções no Município, os dois homens viraram chefes de facções rivais e começaram a disputar territórios para o tráfico de drogas, em Pacajus e municípios vizinhos. Ameaças de morte foram trocadas entre os dois.

Crimes

O G1 apurou que José Fabiano e Francisco Patrick já estão detidos em presídios federais de segurança máxima, devido à periculosidade. O primeiro responde, na Justiça Estadual, pelos crimes de homicídio, latrocínio, roubo, receptação, ameaça e organização criminosa.

Já o segundo, por tráfico de drogas, homicídio, crimes do Sistema Nacional de Armas e organização criminosa.

Operações

As operações Banguê e Saratoga/Pacajus, deflagradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPCE, na quarta-feira (11), cumpriram o total de 44 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão, determinadas pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza.

Destes, 22 mandados de prisão foram cumpridos no sistema penitenciário - sendo 19 em presídios estaduais e três em unidades federais de segurança máxima. A outra metade foi cumprida em Pacajus, Fortaleza, Boa Viagem, Quixeramobim, Ipu, Barreira, Limoeiro do Norte e Pacatuba, sendo que 18 suspeitos foram presos e quatro estão foragidos.

A Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza deferiu mais 16 mandados de prisão preventiva contra supostos integrantes das facções, mas a investigação não cumpriu as ordens por desconhecer o endereço dos mesmos.

As duas quadrilhas, rivais, são suspeitas de tráfico de drogas, homicídios, ameaças e roubos, entre outros crimes. Segundo o integrante do Gaeco, promotor Ronald Fontenele, a deflagração das operações "foi fruto de interceptações telefônicas, que se protraíram desde 2015, passando por 2016, em uma das investigações. Em outra investigação, se aprofundou e atualizou a situação do tráfico de drogas e da atuações de facções criminosas em Pacajus e Região Metropolitana de Fortaleza. Foram duas investigações, com objetos que convergiram para essa região e para esses crimes."

G1/CE

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