Suspeito de estuprar e matar jovem após troca de pneu não irá a júri popular


Acusado de estuprar e matar a universitária Mariana Bazza em Bariri, no interior de São Paulo, depois de premeditar um assalto no qual furou o pneu do carro dela e ofereceu ajuda, Rodrigo Pereira Alves não irá a júri popular e será julgado pela Justiça Comum. Isso porque, segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, o principal crime cometido por Rodrigo foi o de latrocínio, que não se enquadra nos crimes dolosos contra a vida que preveem o Tribunal do Júri.

De acordo com a denúncia do MP, Rodrigo roubou o carro, a carteira da vítima com documentos pessoais, R$ 110 em dinheiro, o celular dela e uma caixa de som.

“O principal crime é o latrocínio, roubo seguido de morte, que é diferente do artigo 121 sobre homicídio, o crime contra a vida. Por isso, ele terá um julgamento na Justiça Comum e não júri popular. Mas, o latrocínio tem pena alta, de 20 a 30 anos”, explicou Guilherme Bittencourt Martins, advogado e Presidente da Comissão de Direito Penal e Processual, ao G1.

A pena de Rodrigo pode ser agravada pelo fato de ele ser multireincidente e cumprir pena de um crime anterior em regime aberto -  ele já cumpriu pena de 16 anos por roubo, sequestro, extorsão e latrocínio tentado, e havia saído da cadeia cerca de 30 dias antes do crime -, além de  de ser acusado de estupro e ocultação de cadáver.

O laudo necroscópico do IML de Araraquara apontou que a vítima que tinha 19 anos foi estuprada e morta na chácara onde o acusado trabalhava como pintor.

A pena prevista para crime de estupro varia de 6 a 10 anos, mas pode ser aumentada no caso de lesão corporal grave ou morte provocada pelo ato e se a vítima é menor de idade. No caso da ocultação de cadáver, a pena varia de 1 a 3 anos de prisão.

Relembre o caso
Rodrigo atraiu a jovem para a chácara com a promessa de consertar o pneu do carro dela – que, segundo o Ministério Público, ele mesmo havia esvaziado. A abordagem aconteceu quando Mariana saiu da academia, por volta das 8h do dia 24 de setembro.

Após ameaçar a vítima com uma faca, ele usou pedaços da blusa dela para vendá-la e amordaçá-la. Laudo apontou também que após o estupro, Mariana foi morta asfixiada estrangulamento. O acusado usou um tecido da própria roupa dela para estrangulá-la.

Ainda de acordo com a denúncia, Rodrigo saiu da chácara para calibrar o pneu com o corpo de Mariana dentro do carro. O corpo foi localizado no dia 25 de setembro em uma área de canavial na zona rural de Ibitinga.Desde essa data, o acusado está preso na Penitenciária de Iaras.

Crime premeditado
Uma câmera de segurança da academia que Mariana frequentava registrou quando Rodrigo se aproxima do carro da vítima e fica encostado nele durante alguns minutos.Nesse momento, segundo a polícia e o MP, Rodrigo murchou o pneu do carro para, depois, oferecer ajuda.

Cerca de meia hora depois, quando a jovem sai da academia e encontra o pneu vazio, Rodrigo, que estava do outro lado da avenida, começa a gritar para alertar sobre o problema - apesar dele não ter visão nenhuma do pneu vazio, o que comprova a teoria de que ele premeditou o crime.

Segundo o relato da amiga da vítima, Heloísa Passarello, Rodrigo atravessou a avenida falando sobre o problema e insistindo para que ela aceitasse ajuda.

CORREIO 24 HORAS

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