Saiba tudo sobre a crise no Figueirense

Francisco de Assis Filho e Claudio Honigman: embate jurídico que deve ir longe — Foto: Patrick Floriani/FFC
Desde agosto de 2017, o futebol do Figueirense era comandado pela empresa Elephant, com Cláudio Honigman na presidência a partir de dezembro do ano passado. O time catarinense criou uma limitada para administrar a área esportiva, o Figueirense Ltda., e vendeu 95% de sua participação para um investidor privado, no caso a Elephant. O contrato era de 20 anos, mas por decisão unilateral do clube foi rescindido na sexta-feira.

Nesta terça-feira, a diretoria apresentou o despacho da Justiça para rebater o pedido protocolado por Cláudio Honigman junto à CBF, que iria abandonar a disputa da Série B do Brasileiro. O presidente da Elephant contra-atacou após receber a decisão unilateral e não aceitar amigavelmente a saída.

Para explicar melhor esse imbróglio, o GloboEsporte.com apresenta abaixo em FAQs, um acrônimo da expressão inglesa "Frequently Asked Questions" (Respostas Para Perguntas Frequentes, em tradução livre), tudo o que você precisa saber sobre o tema.

Porque o Figueirense rescindiu unilateralmente com a empresa Elephant?

Os constantes atrasos salariais com elenco, funcionários e fornecedores chegaram ao limite dos atletas nem entrarem em campo contra o Cuiabá, configurando um inédito W.O. Além disso, diversos problemas operacionais foram registrados como a falta de comida para a categoria de base. No fim do primeiro semestre, o clube notificou a empresa para cumprir os itens do contrato, firmado em 2017. Em julho, foi assinado um termo de compromisso, em que a Elephant se comprometia a colocar as contas em dia. Como o acordado não foi cumprido, o Figueirense destituiu Cláudio Honigman e a empresa do comando, via decisão judicial.

Como foi o processo e o que aconteceu depois da rescisão?

A decisão da Justiça saiu na sexta-feira, dia 20 de setembro, quando o Figueirense confirmou que o poder sobre o futebol era novamente do clube. Um dia antes, Honigman chegou a assinar a intenção de deixar o Furacão, mas na sexta pediu uma indenização de R$ 3 milhões para protocolar o desfazimento de contrato sem maiores traumas para ambos os lados. Sem o acordo amigável, o Alvinegro acionou a rescisão.

Como Cláudio Honigman protocolou na CBF o pedido de abandono da Série B?

Para a CBF, o Figueirense ainda tem Honigman e a Elephant como mandatários, assim como a Federação Catarinense de Futebol. A decisão ainda está pendente de cumprimento por Oficial de Justiça. Com isso, ele segue com o poder da caneta do Figueira. O clube, porém, tem liminar favorável de que o empresário não responde mais pelo futebol desde o dia 20 de setembro. O presidente da FCF, Rubens Angelotti, convocou as partes para tentar uma mediação, mas o ex-mandatário não apareceu.

O que o Figueirense pode fazer agora?

O clube confia que o pedido não será aceito pelo STJD, que tem o caso em mãos para marcar um possível julgamento. No entendimento do Figueirense, Cláudio Honigman não poderia fazer mais nada em nome do Figueirense. Ainda nesta terça, a atual diretoria publicou as decisões judiciais e reiterou que nunca teve a intenção de sair da Série B.

Cláudio Honigman se manifestou? Ele saiu com dinheiro do clube?

Figura pouco presente no dia a dia do clube, Cláudio Honigman não foi encontrado para falar sobre a rescisão. Em entrevista à rádio CBN/Diário, o presidente interino do Figueirense, Chiquinho de Assis, disse que o empresário realizou saques ilegais das contas do Alvinegro em benefício próprio, apenas três dias depois da rescisão unilateral. O Figueira confirmou que vai processar o mandatário da Elephant.

O que pode vir daqui para frente?

O Figueirense está ciente que uma batalha jurídica segue em andamento, mas confia na decisão obtida na sexta-feira, que destituiu a Elephant do poder. Por enquanto, o Figueira se apega ao documento para tomar as decisões. No despacho, Honigman é obrigado a entregar todos os livros, materiais, senhas de acesso, tokens, contratos e documentos referentes ao clube, sob multa diária de R$ 10 mil. Isso ainda não foi feito.

E as finanças do Figueirense? Quem assume como presidente?

O Figueirense admite que a situação é caótica e ainda não ter total noção do rombo. A diretoria busca soluções emergenciais com empresários e conselheiros para manter, pelo menos, os salários em dia. O mês de agosto ainda está atrasado com o elenco. Por enquanto, Chiquinho de Assis, do Conselho Deliberativo, é o presidente interino até que novas eleições sejam convocadas. A tendência é que isso ocorra em outubro.

GLOBO ESPORTE/SC

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