Neto e viúvas da tragédia da Chapecoense farão protesto

FOTO: ADRIANO VIZONE/FOLHAPRESS

Quanto tempo dura três anos? Para os familiares das vítimas da tragédia aérea com o voo da Chapecoense, uma eternidade. Principalmente pela ausência de responsabilização sobre a queda da aeronave da LaMia que matou 71 pessoas - seis sobreviveram.

É na busca de respostas que uma comitiva com nove pessoas - quatro viúvas, o zagueiro Neto, um dos sobreviventes do acidente, o presidente da Abravic e três advogados - desembarcam nesta sexta-feira em Londres para um protesto em frente à sede da Aon, empresa que se alega ter atuado como corretora do seguro da aeronave da LaMia, e da Tokio Marine Kiln, seguradora.

Junto, essas pessoas levam o desejo de se fazer ouvir. Em quase três anos - que se completa no dia 29 de novembro - após a queda do avião, os familiares lutaram para juntar documentos que pudessem apontar os culpados pela tragédia. Encontraram, segundo advogados, uma cadeia de fatores que culminou com o desfecho e por isso, tentam na justiça, serem indenizados.

Apoio em Chapecó
O protesto em Londres está marcado para o dia 30, mas um dia antes, em Chapecó, familiares de vítimas farão um encontro no Átrio Davi Barella Dávi, ao lado da Arena Condá, em apoio à comitiva que viajou à Europa.

O evento, denominado “Verdades e Reparações” é aberto ao público e está marcado para às 15h (de Brasília). A Chapecoense é apoiadora do ato.

Entenda o caso
O seguro da aeronave era de US$ 25 milhões (cerca de R$ 104 milhões), na época do acidente, mas os advogados das famílias contestam. Eles dizem que, até 2015, a apólice era de US$ 300 milhões (R$ 1,24 bilhão) e, a partir de 2016, mesmo com o risco ampliado por passar a transportar atletas de clubes de futebol, a apólice caiu de valor.

Os advogados das famílias dizem que a Aon é responsável pela avaliação de risco de seguros e que tinha conhecimento que a aeronave sobrevoaria áreas de risco, como a Colômbia. Para não fazer o pagamento da indenização, a empresa de seguro alega que a apólice não estava paga, porém, segundo os advogados das famílias, não houve uma comunicação sobre o não pagamento da apólice às autoridades locais, o que impediria o voo.

Embora se recusem a pagar o seguro, duas empresas - Tokio Marine Kiln, seguradora nascida no Japão, e a boliviana Bisa - fazem parte de um fundo humanitário que ofereceu um repasse de dinheiro às famílias das vítimas. Elas ofereceram cerca de R$ 935 mil para cada uma. Em troca, os beneficiários teriam de desistir das ações na Justiça. Ao todo, 23 famílias toparam o acordo. E 48, não.

As pessoas que organizam o protesto em Londres calculam que o valor devido pela Aon, Tokio Marine Kiln e Bisa varia entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões (de R$ 16 milhões a R$ 20,8 milhões) para cada família.

GLOBO ESPORTE/SC

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