Cândido assegura dinheiro para bolsas da UFC em 2020


Empossado há um mês pelo presidente Jair Bolsonaro, o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cândido Albuquerque, garantiu que "todos os recursos para bolsas da instituição estão assegurados ano que vem".

Segundo o gestor, as verbas, já previstas antecipadamente, contemplam "bolsas da universidade, de pesquisa e apoio a estudantes, deste ano e de todo o ano que vem".

Ex-diretor da Faculdade de Direito, Cândido disse que esses recursos estão sendo encaminhados "mediante repasse do Governo Federal, que é o mantenedor da universidade".

Em reportagem do dia 17 de setembro, O POVO mostrou os impactos do contingenciamento de recursos na UFC e noutras federais do Brasil, a partir de decisão do Ministério da Educação (MEC). Entre pesquisadores, há receio de descontinuidade dos trabalhos desenvolvidos na universidade.

Após pressão do MEC, apenas a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) paralisou 5.613 bolsas que ficariam ociosas ainda neste mês em todo o País.

"Não haverá nenhuma diminuição de bolsas na UFC, nada disso", enfatizou o reitor, que afirmou que trabalha agora para concluir as obras paradas na instituição. "Estamos fazendo uma reestruturação da universidade para vocacioná-la à pesquisa", declara.

Segundo ele, além dos repasses do MEC, a própria universidade tem feito um rearranjo na distribuição das bolsas, de modo a otimizá-las. "Reorganizamos toda a questão das bolsas. Bolsas sem impacto social estão sendo realocadas. Havia um número grande de bolsas que não tinham impacto", aponta. O reitor não informou em quais áreas essas bolsas estariam empregadas e para onde estão remanejadas.

Cândido relata ainda que a intenção é que "todas as bolsas serão aplicadas em áreas sociais". Sobre o aumento de verba para viabilizar eventual expansão do atendimento, responde: "Recursos, nós conseguiremos. Igual ao deste ano nós já garantimos. Estamos trabalhando para ampliar nossa dotação orçamentária, conversando com deputados".

Questionado sobre a insuficiência de dinheiro para manter o funcionamento de serviços básicos da UFC, como limpeza, insumos de laboratório e fornecimento de água, energia e telefone, o novo reitor assinalou: "Temos recursos para terminar o ano, sim. Estamos fazendo vários convênios. Estamos melhorando, com dificuldade, mas terminaremos o ano".

Segundo na lista tríplice enviada pela universidade ao MEC, Cândido foi empossado como reitor no dia 22 de agosto, apenas três dias depois de sua nomeação ter sido publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Votação
A escolha de Cândido Albuquerque por Bolsonaro foi alvo de críticas. Na consulta, o então candidato obteve 610 votos ante 7,5 mil de Custódio Almeida, o primeiro colocado da votação.

Um mês depois, manifestantes mantêm acampamento nos jardins da reitoria
O primeiro mês de gestão de Cândido Albuquerque à frente da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi tenso. Dos 30 dias no cargo, o novo reitor despachou poucas vezes na reitoria, no bairro Benfica, cujos jardins ainda estão ocupados por estudantes contrários à nomeação do professor.

Entre os locais usados pelo ex-diretor da Faculdade de Direito da UFC para trabalhar, destaca-se a Casa de José de Alencar, na Lagoa Redonda, onde chegou a conceder entrevista ao O POVO.

Em conversa com a reportagem no último fim de semana, Cândido avaliou que o ambiente acadêmico está mais tranquilo. "Os manifestantes já deixaram a reitoria semana passada. O diálogo está sempre aberto", relatou.

Para ele, "o momento é de união para enfrentar as dificuldades" e fazer "prevalecer o diálogo e o entendimento".

O reitor disse ainda que está "organizando a universidade, fazendo ajustes", mas que já havia recebido das mãos do ex-reitor Henry Campos "muito bem organizada".

Apesar dos apelos do novo reitor, o comitê pró-autonomia da UFC segue em atividade. Hoje, por exemplo, o grupo realiza encontro às 18 horas para debater a paralisação nacional, no início de outubro, em favor da educação. No mesmo horário, há seminário com tema "A luta Antifascista é uma luta feminista".

Além das atividades, o comitê e a reitoria travam uma batalha jurídica. Sob Cândido, a UFC entrou com pedido de reintegração de posse do espaço. A alegação era de que o reitor vinha sendo "impedido de assumir seu gabinete e passar a exercer suas funções, pois os protestos continuam a ocorrer".

A ação inicial, que tramita na 1ª Vara Federal do Ceará, foi devolvida para que o reitor identificasse o polo passivo, genericamente atribuído aos manifestantes. O texto foi refeito. Até agora, porém, ao menos dois juízes federais se declararam impedidos para julgá-lo.

HENRIQUE ARAÚJO / O POVO ONLINE

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