Técnicos de Ceará e Fortaleza pedem mais critério no uso do VAR

Neste Campeonato Brasileiro, o árbitro de vídeo tem sido motivo de polêmica para todos os clubes que estão na disputa | FOTO: FERNANDO TORRES/CBF
Ceará e Fortaleza conseguiram resultados positivos no fim de semana na Série A, com o Vozão batendo o líder Palmeiras, por 2 a 0, na Arena Castelão, no sábado (20), e o Leão arrancando empate heroico com o Atlético/MG, em 2 a 2, no Independência, no domingo (21).

Contudo, mesmo com resultados importantes para seus objetivos na tabela, ambos com 14 pontos e na zona intermediária, não foi suficiente para seus treinadores deixarem a arbitragem de lado, após decisões em conjunto com o VAR (árbitro de vídeo).

Tanto Enderson Moreira, do Ceará, quanto Rogério Ceni, do Fortaleza, reclamaram dos critérios utilizados, das intervenções do VAR perante o árbitro em campo, contestando marcações ao longo de 11 rodadas.

Na bronca desde o jogo com o Fluminense pela 10ª rodada, na anulação do gol do Ceará de Mateus Gonçalves, Enderson também criticou a revisão do VAR no 1º gol do Ceará contra o Palmeiras, no último sábado, após o árbitro de campo ter deixado o jogo seguir em lance entre Samuel, do Ceará, e Deyverson, do Palmeiras, mas a arbitragem de vídeo ver falta no lance.

Para Enderson, o lance não deveria ser sido revisado pelo árbitro de campo, que deveria ter deixado o jogo seguir. "O lance do primeiro gol nosso, acho que o procedimento está equivocado porque o VAR não está aí para impedir qualquer tipo de jogada. Todo gol que sai, querem procurar irregularidade, mesmo o árbitro decidindo. Percebo que não vai mais ter árbitro de campo, vai ser só um alto falante e o VAR diz o que foi".

Rogério Ceni ficou indignado com a arbitragem ter mandado voltar o pênalti para o Atlético/MG, alegando que o goleiro Felipe Alves se adiantou após intervenção do VAR. "É lamentável pro futebol. Nosso goleiro estava com o pé na linha. O Atlético não teve culpa. No primeiro pênalti, não marcaram falta no lance antes com o Carlinhos. Com o VAR, times como o nosso vão ter dificuldades na Série A. Têm três caras no ar-condicionado por onde tem que passar o lance. A decisão cabe pra quem tá no campo".

Dúvida

Ao longo da Série A, os dois treinadores têm sistematicamente criticado as definições da arbitragem, sendo elas justas ou não, considerando-as muito intervencionistas, deixando atletas e técnicos inseguros quanto aos critérios utilizados a cada marcação.

Com erros de critério e de avaliação em lances interpretativos, todos os clubes da Série A estão criticando o mau uso da ferramenta no primeiro ano de utilização.

Vale lembrar que em sete intervenções do VAR (quatro em jogos do Vovô e três do Leão), reclamados pelos dois clubes, todos são lances interpretativos, ou seja, passíveis de diferentes opiniões de árbitros, no caso, o do campo e os do vídeo.

Assim como outros treinadores, Enderson e Ceni têm se desgastado em reclamações de lances interpretativos, como o gol anulado do Ceará, de Mateus Gonçalves, contra o Flu, em que o árbitro reviu a decisão alegando impedimento de Felippe Cardoso, ou na expulsão de Osvaldo, do Fortaleza, contra o Grêmio, ao entrar forte em Léo Moura.

Por ironia, o lance mais polêmico, no pênalti não marcado em Wellington Paulista contra o Botafogo, o VAR alertou o árbitro que tinha sido pênalti, mas ele não marcou.


VLADIMIR MARQUES / DIÁRIO DO NORDESTE

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