Promessa de avanço no futebol, VAR é alvo de críticas de clubes cearenses


A promessa de que a utilização da tecnologia no futebol acabaria com polêmicas corriqueiras do esporte, como a marcação de impedimentos e pênaltis parece já ter caído por terra.

Na atual edição da Série A do Brasileiro, em que todas as partidas contam com o auxílio da arbitragem de vídeo (VAR) — que dá direito ao árbitro de campo rever lances duvidosos de gols, pênaltis, impedimentos e até jogadas violentas —, o que não faltou foi polêmica.

Para ficar apenas no futebol cearense, O POVO verificou as vezes em que o VAR, até aqui, interferiu (e mudou) lances em partidas de Ceará e Fortaleza.

A polêmica mais recente foi o gol anulado de Mateus Gonçalves sobre o Fluminense, que daria a vitória ao Vovô por 2 a 1. Avisado pelo VAR que haveria participação do atacante Felippe Cardoso, em posição irregular no lance, na jogada, o árbitro de campo foi ao monitor e até chamou o assistente antes de decidir invalidar a jogada.

Comissão técnica e diretoria do Alvinegro ficaram revoltados por discordar da interpretação e prometeram entrar com representação contra a arbitragem da partida na CBF.

Em outros momentos, porém, a tecnologia já ajudou o Ceará. Na partida contra o Cruzeiro, na segunda rodada, penalidade foi marcada a favor do Vovô via VAR. Após finalização de Carleto, a bola tocou no braço de um defensor, sem que o árbitro de campo notasse. A cobrança, porém, foi desperdiçada.

Outro momento em que o Alvinegro foi beneficiado foi na estreia, contra o CSA. Em disputa de bola entre o goleiro João Carlos e o lateral-direito Samuel Xavier, o juiz deu apenas cartão amarelo para o arqueiro. O VAR entendeu que o lance foi violento, chamou o árbitro, que concordou, expulsando o goleiro.

Nessa mesma partida, entretanto, pênalti foi marcado em cima de Leandro Carvalho, sendo desmarcado na sequência por influência do VAR.

O Fortaleza teve experiências ainda mais polêmicas com o VAR. Nenhuma decisão com o auxílio da tecnologia favoreceu o Tricolor.

Na partida com o Botafogo, por exemplo, os cariocas venceram por 1 a 0 e um pênalti deixou de ser marcado a favor do Leão, cometido por Gilson sobre Wellington Paulista. O atacante foi derrubado na grande área, Wagner Reway olhou o monitor, mas deixou o jogo seguir.

Também no Rio de Janeiro, mas no duelo entre Flamengo e Fortaleza, o segundo gol do Rubro-Negro, marcado por Gabigol, foi anulado. O assistente 2 viu o atacante do time carioca adiantado. A tecnologia provou que ele estava na mesma linha de um dos defensores do Tricolor. Neste caso, a decisão contrária ao Fortaleza foi justa.

Os dois jogos em que a interferência do VAR mais incomodou à comissão técnica e diretoria do Leão, no entanto, foram contra Grêmio e Cruzeiro. Diante dos gaúchos, o Fortaleza terminou a partida com um homem a menos porque Osvaldo foi expulso no segundo tempo. Ele acertou o tornozelo de Léo Moura em uma disputa de bola e inicialmente levou amarelo. O árbitro de vídeo achou o lance violento e chamou o de campo. Depois de ver o monitor, a cor do cartão foi trocada.

A decisão dividiu opiniões e o presidente tricolor Marcelo Paz chegou a dizer que "o árbitro não pode se apaixonar pela primeira imagem".

No jogo seguinte, contra o Cruzeiro, dois lances violentos aconteceram e o árbitro Heber Roberto Lopes ficou apenas com a orientação que recebeu no ponto eletrônico (que fica no ouvido), sem sequer parar para analisar as imagens. A primeira jogada foi disputa de bola entre Léo e Romarinho, em que o jogador da Raposa foi com pé alto. Na segunda, o jogador Dodô acertou as costelas de André Luís. Ambos ficaram apenas no cartão amarelo. A expulsão do zagueiro Nathan, no segundo tempo, pelo segundo amarelo, revoltou Rogério Ceni.

BRENNO REBOUÇAS / O POVO ONLINE

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