Em sessão tumultuada, Moro chama vazamento de "escândalo fake"

O ministro ficou cerca de oito horas prestando esclarecimentos aos deputados sobre os supostos diálogos com procuradores (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Em quase oito horas de sessão na Câmara dos Deputados ontem, o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro chamou os vazamentos de diálogos atribuídos a ele e ao procurador da República Deltan Dallagnol de "escândalo fake já afundado ou afundando".

Em reunião conjunta das comissões de Constituição e Justiça e de Trabalho e de Direitos Humanos, o ex-juiz voltou a negar que tenha colaborado com o Ministério Público Federal (MPF) nos casos da Operação Lava Jato, sobretudo o do ex-presidente Lula (PT). De acordo com Moro, "isso está confirmado na manutenção das minhas decisões pelas instâncias recursais".

As conversas envolvendo Moro, Dallagnol e outros procuradores vieram à tona desde o começo de junho, quando o site "The Intercept Brasil" passou a publicar reportagens que expunham mensagens nas quais o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba orienta membros da força-tarefa.

Convidado pelos deputados a responder questionamentos sobre essas denúncias, o ministro foi irônico, citando que "se ouve muito da anulação do processo do ex-presidente (Lula), tem que se perguntar então quem defende Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, todos estes inocentes que teriam sido condenados segundo este site de notícias".

De acordo com Moro, as acusações feitas pelo site até agora têm se revelado como "balões vazios". O ministro então reclamou de "sensacionalismo" na divulgação das conversas e classificou as informações publicadas como "revanchismo".

O ex-juiz acrescentou: "Tenho certeza de que se durante a condução da Lava Jato eu tivesse me omitido, deixado a corrupção florescer, virado os olhos para os outros lados eu não sofreria estes ataques".

O ministro também se queixou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a quem acusou de embarcar em um "sensacionalismo barato". A entidade pediu o afastamento de Moro e Dallagnol dos seus cargos.

O titular da Justiça no governo Bolsonaro disse ainda que acompanha as investigações a cargo da Polícia Federal apenas como vítima, sem interferir em nenhuma delas, e que o Planalto não irá tomar "nenhuma providência contra a liberdade de imprensa".

Deputado federal pelo Ceará, José Guimarães (PT) desafiou o ministro a se comprometer com a entrega de aparelhos telefônicos para serem periciados. "Vossa excelência assinaria essa declaração para a imprensa? Entregando seu celular, seu tablet, para esta CCJ ou algum órgão de investigação?", perguntou.

Já perto do encerramento da sessão, que começou por volta das 15 horas, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) chamou o ex-juiz de "corrupto" e "ladrão". Na sequência, puxados pelo deputado Éder Mauro (PSD-PA), os governistas foram para cima do psolista.

A presidente da sessão, Marcivânia Flexa (PCdoB-AP), optou por encerrá-la após Mauro e Bibo Nunes (PSL-RS) falarem que ela não tinha pulso para comandar a comissão. Moro deixou a sessão escoltado por seguranças.

Deltan
Deltan Dallagnol também deve falar à Câmara dos Deputados sobre as conversas atribuídas a Moro. Ainda não há data para o depoimento do coordenador da Operação Lava Jato

MORO
Esta foi a segunda vez em menos de 15 dias que Sergio Moro vai ao Congresso para se explicar sobre mensagens que mostram diálogo entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol.

O POVO ONLINE

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