Suspensão de concursos públicos gera incerteza a estudantes

Lia Rachel Menezes estuda há dois anos para concursos públicos e encara com resiliência a notícia de cancelamento das seleções | Foto: Helene Santos
Anunciada no início desta semana, a suspensão temporária de homologações e convocações de concursos públicos trouxe incerteza e apreensão para estudantes. A decisão foi divulgada durante uma coletiva de imprensa para discutir o plano de cortes do Executivo Estadual e repercutiu entre estudantes e empresas especializadas em cursinhos preparatórios para concursos públicos.

Para Sávio Mendes, professor de História aprovado em um concurso público da Secretaria da Educação (Seduc) no fim de 2018, essa decisão torna indefinida a sua situação. Atraído pela estabilidade que o cargo público oferece, Sávio decidiu investir nos concursos e chegou a aplicar, aproximadamente, R$ 800 em cursos preparatórios. "Apesar de haver muita indefinição em relação a até quando (a suspensão) vai acontecer, estava esperando a convocação no começo do próximo semestre. Mas, com as modificações, é tudo muito incerto", afirma.

Essa incerteza, no entanto, não é motivo de preocupação para todos os estudantes que se preparam para os concursos. Muitos encaram a situação de forma positiva e mantêm o foco nos estudos. Lia Rachel Menezes, estudante de concursos, há mais de dois anos, já chegou a desembolsar em sua preparação mais de R$ 2.000 em cursinhos e cursos online. Para ela, a situação não é preocupante, pois os concursos para os quais se prepara costumam demorar para divulgar editais. Ela mantém o otimismo em relação ao cenário.

"O País está quebrado, infelizmente. Então a gente tem que abrir mão de algumas coisas para o bem maior", argumenta a estudante.

Empresas otimistas Para as empresas do setor, especializadas em cursos preparatórios para concursos públicos, a decisão não apresenta riscos significativos. Maurício Braz, coordenador do Tiradentes Concursos, afirma que, inicialmente, houve apreensão por parte dos alunos e muitos se questionaram se os concursos deixariam de existir. "É impossível isso acontecer. Para ter o serviço público, a gente precisa do funcionário público", explica Maurício.

Em relação às decisões a serem tomadas pelos estudantes no futuro, o coordenador afirma que não é possível expressar o que pensam de forma geral. "Não dá para generalizar. Existe aquele concurseiro que está na dúvida e temeroso, mas existe aquele que encara como mais tempo para estudar", diz.

Gleidson de Castro, coordenador do Curso Professor Gustavo Brígido, avalia de forma positiva a suspensão. Segundo ele, a decisão dá aos alunos a oportunidade de se prepararem antecipadamente para o lançamento de novos editais no futuro. "Muitos vão desmotivar com essa notícia, e a gente entende, pelo atual momento do País. Mas se você persiste na questão do estudo, esse tipo de notícia deve motivar, porque você vai ter mais tempo para estudar", afirma.

DIÁRIO DO NORDESTE

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