Esperança da equipe econômica e investidores é que semana de crises sirva de lição para governo focar na Previdência

Em público e oficialmente, a equipe do presidente Jair Bolsonaro procurou defender o chefe nos dois episódios da curta semana que geraram crise no governo. A postagem de vídeo pornográfico na internet e a declaração de que a liberdade e democracia só existem se as Forças Armadas quiserem.

Nos dois casos, a equipe presidencial foi obrigada a vir a público para tentar explicar e defender as ações e declarações de Bolsonaro. Nos bastidores, porém, a avaliação foi outra. De que esta é uma semana para não ser esquecida e ser lembrada como lição de como um governo não deve agir, gerando crise para si mesmo.

Um assessor, ao ser questionado se esta era uma semana para ser esquecida, disse: "Pelo contrário, é para não ser esquecida e ser muito bem lembrada como uma lição de como um governo não deve se comportar".

No caso da declaração sobre democracia e Forças Armadas, assessores disseram que é complicado quando um presidente precisa de intérprete para traduzir o que ele quis dizer. Sempre vai ficar a dúvida se ele estava dizendo exatamente o que desejava e, depois, quando sentiu a repercussão negativa, escalou sua equipe para funcionar como sua intérprete.

Dentro do governo, no Congresso Nacional e no mercado, a expectativa é que pelo menos a semana tumultuada gere um resultado positivo: um presidente focado a partir de agora na aprovação da reforma da Previdência, defendida por ele nesta quinta-feira (7) no seu pronunciamento pelas redes sociais, quando tentou explicar a frase que havia dito mais cedo sobre democracia e Forças Armadas.

Observadores atentos notaram que ele dedicou menos tempo ao tema da reforma da Previdência em relação aos outros, mas a esperança é que, a partir de agora, essa seja a prioridade dos discursos e ações do presidente. Na equipe econômica, entre líderes do Legislativo e investidores, os últimos dias trouxeram a sensação de que o presidente lançou dúvidas sobre a tramitação da reforma e perdeu parte de seu capital político, essencial para a aprovação da reforma da Previdência.

A avaliação é que o Congresso ganha poder e o Executivo vai na direção contrária, se desgastando. Bolsonaro, segundo assessores, precisa compreender que, se a economia não deslanchar, seu governo vai começar a perder apoio a partir do próximo ano. Simples assim, dizem investidores, mas a ficha precisa cair no Palácio do Planalto.

G1

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