Escolas de Samba do Rio enaltecem Ceará em desfiles

Foto: Marcos Ramos/Agência O Globo
Dentro de algumas horas, a Sapucaí vai se vestir de Ceará em três desfiles consecutivos do Grupo Especial de Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Isso porque, em 2019, União da Ilha do Governador, Paraíso do Tuiuti e Estação Primeira de Mangueira elegeram personagens e histórias deste Estado nordestino para apresentar no sambódromo carioca. Rachel de Queiroz, José de Alencar, Bode Ioiô, Dragão do Mar e índios Cariri são alguns dos principais destaques nos enredos dessas agremiações, que prometem ainda desfiles políticos na avenida.

As apresentações terão início na madrugada desta segunda (4) e seguem até o comecinho da manhã de terça (5). Com os preparativos a todo o vapor, duas das três escolas contarão nesta reta final com um reforço que vem do próprio Ceará. Isto porque, alguns cearenses já se encontram em solo carioca para desfilar na Sapucaí. É o caso do educador patrimonial Gerson Linhares e do mascote Bode Ioiô (Bodinho), convidados pela Tuiuti para participar do enredo "O Salvador da Pátria", que aposta neste símbolo da nossa história para falar do voto de protesto.

O mote é a "eleição do Bode" na Fortaleza dos anos 1920, fato não confirmado, mas ainda hoje em discussão.

Cearenses

Os dois cearenses, que guiam um passeio pelo Centro histórico de Fortaleza todos os sábados, desfilarão em um carro alegórico dedicado ao personagem. A indumentária de ambos será praticamente a mesma que usam semanalmente, visto que a Escola quer a representação mais fiel possível. E o educador já adianta que vai trazer para a terrinha alguns objetos do desfile. A intenção é abrir, em breve, no Centro ou na Praia de Iracema, o Museu do Bode Ioiô. As negociações para isso, aliás, já começaram. Mas a ansiedade maior no momento está concentrada mesmo é no desfile.

"A expectativa é tremenda, porque a gente esteve no barracão e posso dizer que vai ser muito impactante, muito bonito, com certeza. Vai falar sim da história do nosso mascote, nosso personagem típico da cultura popular, e a gente ficou muito emocionado", relata Gerson. Segundo ele, a Tuiuti "vai passar uma mensagem de identidade cultural do nosso povo, e mais ainda, de fortalecimento de cidadania".

Com uma proposta mais leve, a União da Ilha do Governador vai ressaltar a diversidade cultural do Ceará por meio de várias frentes, como literatura, moda e artesanato.

O artista plástico cearense Dim Brinquedim, que mantém um Museu em Pindoretama com mais de 500 brinquedos, esculturas e telas, de pequenas e grandes dimensões, é um dos reforços que a Escola de Samba vai levar para a avenida com o enredo "A peleja poética de Rachel e Alencar no Avarandado do céu".

O convite veio do carnavalesco Severo Luzardo, que já conhecia o trabalho de Dim desde 2001. Em 2013, inclusive, os dois trabalharam juntos por ocasião de outra homenagem ao cearense na Sapucaí, pela Escola Acadêmicos do Cubango. Cada experiência, porém, é única. "Estou muito emocionado. Para mim é uma grande alegria poder estar nesta festa representando a brincadeira e levando para o mundo inteiro a imagem de um Ceará alegre, que não se entrega, que a tudo resiste, que transfigura as agruras em irreverência e bom humor".

Personagens

Neste ano, Dim vai desfilar no segundo carro alegórico da União da Ilha. Alguns personagens do escultor serão perceptíveis na alegoria, que vai destacar as cores e formas dos brinquedos. Quanto à indumentária, o cearense vai com uma fantasia inspirada na obra do mestre Espedito Seleiro. Este, aliás, também já se encontra no Rio para desfilar pela mesma escola. Já os estilistas Lindebergue Fernandes e Ivanildo Nunes, que colaboraram com a ala dos brincantes e da Velha Guarda, respectivamente, reforçam o time.

A Mangueira, por sua vez, não desfilará com cearenses. O enredo "Histórias para ninar gente grande", porém, reforçará a história do abolicionista Chico da Matilde, o Dragão do Mar, e também a dos índios que participaram da Confederação Cariri, movimento de resistência à colonização portuguesa. A ideia da verde e rosa é contar histórias que quase nunca encontramos nos livros escolares, lançando luz sobre o protagonismo de minorias que carregam o Brasil desde muito antes de 1500.

Outra gigante a fazer referência ao Ceará na Sapucaí é a Beija-Flor de Nilópolis, vencedora no Carnaval passado. Isso porque, neste ano, ela fará uma celebração aos seus 70 anos de história, resgatando a memória do Pavilhão através de uma releitura contemporânea e fabulosa dos enredos mais marcantes.

O escritor José de Alencar foi timidamente citado no texto que apresenta a proposta, muito provavelmente pelo enredo de 2017, inspirado no romance "Iracema". Para quem gosta de ver os desfiles de casa, o que não vai faltar é escola de samba para torcer.

Com info. Diário do Nordeste

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