EUA vão às urnas em eleição de meio de mandato com tom de referendo sobre Trump


Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (6) para as eleições de meio de mandato (midterms, em inglês), nas quais irão definir uma nova Câmara, um terço do Senado e mais de 75% de seus governadores. A votação tem clima de referendo sobre o presidente Donald Trump, que completa em breve dois anos na Casa Branca.

Num fenômeno conhecido como "efeito midterm", como explica o colunista Helio Gurovitz, é comum que o presidente da vez sofra um revés nessas eleições, resultado do desencanto natural dos eleitores ao comparar dois anos de governo às promessas de campanha. O cenário, portanto, é favorável aos democratas, mas resta saber quão favorável.

Câmara
A principal mudança possível é que os democratas obtenham a maioria dos deputados, segundo análises distrito a distrito do Cook Political Report, do Wason Center for Public Policy e do Sabato's Crystal Ball, da Universidade da Virgínia. O modelo estatístico do site FiveThirtyEight atribui 6 chances em 7 (85%) à maioria democrata. No modelo do CrossTab, elas são um pouco menores, 4 em 5 (79%).

Mapa da Câmara de Representantes dos EUA — Foto: Karina Almeida/G1

Senado
O Senado possivelmente permanecerá com maioria republicana. Das 35 cadeiras em jogo, apenas nove pertencem a republicanos. E das 26 ocupadas atualmente por senadores democratas, 9 representam estados vencidos por Trump em 2016.

Mapa de senadores dos EUA — Foto: Karina Almeida/G1
Siglas dos estados dos EUA — Foto: Karina Almeida/G1
Eleitora deposita voto antecipado em urna em Norwalk, Califórnia, no dia 24 de outubro — Foto: Reuters/Lucy Nicholson

Incidentes
A campanha esteve marcada por dois violentos incidentes: o envio de pacotes com explosivos a proeminentes líderes democratas e o massacre em uma sinagoga em Pittsburgh, onde morreram 11 pessoas. Os dois incidentes motivaram acusações de que Trump estimula a violência com seus tuítes e discursos cheios de duros ataques contra seus opositores.

O presidente americano, que participou ativamente da campanha, reagiu culpando os jornalistas críticos de alimentarem o extremismo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, deposita uma pedra em homenagem a vítimas de massacre em memorial na Sinagoga Árvore da Vida, acompanhado pela primeira-dama, Melania, e pelo rabino Jeffrey Myers, em Pittsburgh, em 30 de outubro — Foto: Reuters/Kevin Lamarque

Em seus comícios, Trump usou de sua experiência como apresentador de televisão para cativar seu público e se colocar no centro do debate.


Em seus discursos, com um estilo que mistura declarações grandiloquentes, linguagem simples e toques de humor para atingir seus críticos, o presidente tem colocado os eleitores diante da escolha entre a sua gestão, que expandiu a economia e levou o desemprego a um mínimo de 3,7%, além da sua visão de segurança, e as posturas dos democratas, os quais chama de extremistas de esquerda.
A estratégia de centralizar todo o debate político na sua figura é uma aposta, assim como a virada em seus discursos, que passaram dos elogios às conquistas econômicas de sua gestão a uma narrativa dura -- e considerada pelos oposicionistas de racista -- com a qual denuncia a imigração ilegal como uma "invasão".

A poucos dias das eleições, Trump enviou milhares de soldados à fronteira com o México e sugeriu que se os migrantes centro-americanos das caravanas lançassem pedras contra os militares, estes poderiam responder com tiros, apesar de ter se retratado depois.


A mensagem que repete é que os democratas irão converter o país em um antro de crimes e drogas. "Eles querem impor o socialismo no nosso país. E querem apagar as fronteiras dos Estados Unidos", disse no domingo à noite durante um comício em Chattanooga, no Tennessee.
A tática funcionou para ele em 2016 quando, contra todos os prognósticos, conseguiu ser eleito. Mas esses discursos também irritam muitas pessoas, dando aos democratas uma esperança de mais mobilização.

Caravana de milhares de migrantes da América Central, a caminho dos Estados Unidos, chega a San Pedro Tapanatepec de Arriaga em 27 de outubro — Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Voto latino
Como aponta a agência France Presse, uma importante interrogação é como o eleitorado irá reagir à agressiva retórica de Trump contra a imigração e, especificamente, se isso afetará de alguma forma o voto latino, em um país onde 29 milhões de hispânicos estão registrados para votar.


Apesar de o presidente americano ter uma rejeição majoritária da comunidade latina, quase 30% dos eleitores hispânicos o apoiaram em 2016.
Voto latino
Como aponta a agência France Presse, uma importante interrogação é como o eleitorado irá reagir à agressiva retórica de Trump contra a imigração e, especificamente, se isso afetará de alguma forma o voto latino, em um país onde 29 milhões de hispânicos estão registrados para votar.

G1

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