Atitude desagrada, e Nenê vive pior fase no São Paulo


Desagradou internamente no São Paulo a atitude de Nenê de deixar o Morumbi rapidamente após o empate por 2 a 2 com o Flamengo, no último domingo. Nos bastidores, no entanto, a possibilidade de uma multa salarial não é citada. O caso não foi considerado um erro grave.

Nenê está incomodado com a perda da vaga no time titular do São Paulo. Há algum tempo ele não esconde a insatisfação com a condição de reserva.

O meia-atacante foi titular do São Paulo pela última vez no dia 14 de outubro, na derrota para o Internacional por 3 a 1. Àquela altura, o jogador perdia espaço pouco a pouco – foi substituído nos três jogos anteriores ao duelo com o Atlético-PR, no qual virou reserva.

Neste momento, Nenê vive seu maior jejum de gols com a camisa do São Paulo. Ele não marca há dez partidas. A pior sequência anterior foi de nove jogos, entre fevereiro e março. No geral, ele é o vice-artilheiro da temporada, com 12 gols.

Diante do Flamengo, Nenê viveu uma situação atípica no São Paulo: ele ficou no banco de reservas o jogo inteiro e não foi acionado por opção da comissão técnica. Diego Aguirre fez as três substituições e preferiu não usá-lo.

Antes, a situação havia ocorrido com Nenê em março, mas em um contexto completamente diferente.

Na ocasião, o hoje auxiliar fixo André Jardine substituía o demitido Dorival Júnior de forma interina e poupou jogadores da vitória por 3 a 0 sobre o CRB, pela terceira fase da Copa do Brasil, em Maceió – o Tricolor venceu o primeiro jogo por 2 a 0, no Morumbi.

Nenê perde espaço no time titular de Aguirre no São Paulo — Foto: Divulgação/São Paulo

Nos bastidores o São Paulo avalia o que chama de "pacote Nenê". Tanto Diego Lugano, no PSG (temporada 2011/2012), quanto Diego Aguirre, no Al-Gharafa (temporada 2013/2014), trabalharam com o jogador.

Não foi uma surpresa, portanto, a postura competitiva e de busca pelo protagonismo por parte de Nenê. No São Paulo, ele é visto como um "fominha chato do bem".

Trata-se de um jogador que se dedica ao máximo nos treinos e se esforça nas partidas para ser decisivo. Ou seja, Nenê não tenta ganhar seu espaço "no grito". Mas em contrapartida se incomoda demais com a saída da equipe. Na avaliação do clube, as reclamações pela situação não extrapolaram o limite.

Gonzalo Carneiro ganhou a vaga de Nenê no São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Dentro de campo, Aguirre passou a usar Gonzalo Carneiro no lugar de Nenê em meio à perda dos principais pontas do elenco. Everton ficou fora dos últimos quatro jogos. O meia-atacante era importante ofensivamente e fundamental taticamente, assim como Rojas, também lesionado.

Sem eles, Aguirre optou por atletas mais novos (Carneiro tem 23 anos, e Nenê 37 anos), descansados e de mais força física para tentar reequilibrar a equipe.

Apesar da má fase, Nenê recebeu um aumento salarial há alguns meses, depois ser alvo de uma proposta e decidir ficar no São Paulo.

Histórico
A insatisfação de Nenê por não ter entrado em campo contra o Flamengo não foi o primeiro caso de irritação do meia no São Paulo. Em pelo menos outras três oportunidades, ele ficou contrariado.

Começou na vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-PR, em Curitiba, no primeiro turno do Brasileirão. Ele fez o gol do triunfo, mas foi substituído por Lucas Fernandes e saiu de campo balançando a cabeça.

Mais adiante, na vitória sobre o Cruzeiro, no Mineirão, também no primeiro turno, Nenê saiu para a entrada de Bruno Peres. Dessa vez, de forma mais veemente, ele ficou reclamando no banco (veja no vídeo abaixo.

No segundo turno, no intervalo da derrota para o Palmeiras, no Morumbi, Nenê foi substituído por Gonzalo Carneiro, agora titular, no intervalo. E também não ficou satisfeito.

A insatisfação com o banco de reservas é algo corriqueiro na carreira de Nenê. O meia não aceita de forma passiva quando é colocado nessa condição. No Vasco também foi assim.

Um dos ídolos do time carioca na retomada da Série B para a Série A, em 2016, Nenê perdeu lugar no time titular na metade de 2017, quando começou a ser especulada sua saída do clube.

Rogério Ceni, técnico do São Paulo à época, chegou a pedir sua contratação, mas ela só foi acertada este ano. Na ocasião, Nenê também reclamava de estar na reserva do Vasco.

GLOBO ESPORTE

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