Último foragido do BC tinha casa preparada para fuga; ele confessou participação no furto milionário

Preso na última quarta-feira, 10, o último foragido do furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central (BC) de Fortaleza vivia em casa adaptada para que ele fugisse. Por pelo menos duas vezes a Polícia Federal (PF) chegou perto de capturar Antônio Artenho da Cruz, 54, conhecido como Bode, mas o homem conseguiu escapar. Dessa vez, o escavador do túnel estava em residência localizada em área de difícil acesso, na região de Volta do Rio, no município de Boa Viagem, a 222 km da Capital. 

Agentes do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) fizeram o cerco a pé após denúncias. Segundo o tenente Renê Bertrand, comandante do 16º Pelotão da 3ª Cia/BPRaio, o criminoso não ofereceu resistência. “Ele se rendeu, se identificou e confessou a participação no crime ao Banco Central”, disse. 

Segundo o policial, a casa de Artenho era parte de um vasto terreno, bloqueado para acesso de veículos. “Paramos antes e fomos andando. Ele é caçador, conhece bem a região, deixou o local fácil para fuga”, explicou o comandante. 

Bode foi condenado a 27 anos e 7 meses de prisão por furto qualificado ao BC, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Em junho de 2017, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia diminuído a pena dele para 13 anos. Na última segunda-feira, 8, a 12ª Vara da Justiça Federal no Ceará também extinguiu a punição por formação de quadrilha, reduzindo mais três anos da pena.

Dois dias depois, além do cumprimento do mandado de prisão em aberto, os policiais ainda prenderam Artenho em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele tinha uma espingarda calibre .36 e nove cartuchos. Com o homem, a Polícia ainda encontrou R$ 3,9 mil. 
Bode ganhou destaque no grupo que furtou o banco por permanecer foragido por mais de 13 anos. Durante o período, a PF esteve perto de capturá-lo em duas situações, ambas na fazenda do pai do foragido. 

Furto ao Banco Central

Executada entre 6 e 7 de agosto de 2005, o furto tornou-se o maior registrado no Brasil. Durante cerca de três meses, o grupo criminoso escavou túnel sob casas e ruas de Fortaleza até chegar ao cofre do BC. Em maio daquele ano, eles alugaram uma casa onde funcionava empresa fictícia de grama sintética. O túnel tinha aproximadamente 80 metros de comprimento, era revestido, apoiado em vigas e tinha sistemas de ventilação e elétrico. 

O Povo


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