China diz que presidente da Interpol está sob investigação


A China afirmou neste domingo (7) que o presidente da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), Meng Hongwe, está sob investigação por violação de leis que não foram especificadas. O jornal "South China Morning Post" afirma que ele está detido.

Meng tinha o paradeiro desconhecido desde que chegou à China, sua terra natal, na semana passada. A polícia francesa e a Interpol investigavam o seu paradeiro. No sábado, a Interpol solicitou oficialmente à China esclarecimentos sobre a situação de seu chefe.

Meng Hongwei "está sendo investigado por suspeitas, de acordo com as quais teria violado a lei", segundo comunicado divulgado no site da Comissão Nacional de Supervisão, encarregada de apurar casos de corrupção de funcionários públicos chineses.

A Interpol recebeu neste domingo uma mensagem em que ele renucnia ao cargo de presidente da instituição. O coreano Kim Jong Yang ocupará o comando da organização policial temporariamente, até que um novo presidente efetivo seja escolhido numa reunião prevista para novembro.

Imagem de faca, sinal de perigo
A mulher de Meng Hongwe afirmou neste domingo que o marido lhe enviou, em 25 de setembro, uma mensagem dizendo: "Espere por minha ligação". Quatro minutos depois, ele enviou a imagem de uma faca, como um sinal de que estaria correndo perigo, na interpretação de Grace Meng.

Depois disso, ele não entrou mais em contato e ela pediu ajuda à polícia em Lyon, na França, onde fica a sede da Interpol.

Grace Meng leu uma declaração durante uma coletiva de imprensa em Lyon, mas não permitiu que os repórteres mostrassem seu rosto. Tanto ela como os filhos estão sob proteção da polícia desde que recebeu ameaças pelas redes sociais e por telefone, segundo o Ministério do Interior francês.

"Não tenho certeza sobre o que aconteceu com ele. Este caso diz respeito a toda comunidade internacional", afirmou aos jornalistas após ler uma declaração oficial.

"Enquanto não puder ver meu marido na minha frente, falando comigo, não posso confiar em nada que seja dito", declarou a mulher.

Grace Meng, mulher do presidente da Interpol, Meng Hongwei, consulta seu celular em um hotel de Lyon, na França; ela não quis mostrar seu rosto, pois teme por sua segurança — Foto: John Leicester/AP Photo
Grace Meng, mulher do presidente da Interpol, Meng Hongwei, consulta seu celular em um hotel de Lyon, na França; ela não quis mostrar seu rosto, pois teme por sua segurança — Foto: John Leicester/AP Photo
O desaparecimento de autoridades chinesas tornou-se relativamente comum sob a presidência de Xi Jinping, que vem conduzindo uma campanha anticorrupção há alguns anos e que serviria de pretexto para expurgos políticos na China e no exterior.

Segundo números oficiais, 1,5 milhão de autoridades já foram investigadas nesta campanha, segundo dados da France Presse.

As razões para uma possível investigação de Meng não estão claras, mas ele cresceu em sua carreira quando o país era dirigido por Zhou Yongkang, um rival do presidente Xi que atualmente cumpre uma pena de prisão perpétua.

Interpol
A Interpol tem entre suas atribuições procurar criminosos de vários países a partir de alertas vermelhos. Atualmente, a instituição tem 192 países membros.

Meng Hongwei foi eleito presidente da Interpol em 2016, em assembléia geral da organização em Bali, e seu mandato vai até 2020.

O comando da Interpol é dividido em duas frentes pelo presidente, Meng Hongwei, e pelo secretário-geral, Jürgen Stock. O secretário-geral cumpre expediente na sede, em Lyon, e acompanha o dia a dia da Interpol e das políticas de cooperação internacional em tempo integral.

Já o presidente, Meng Hongwei, que está desaparecido, não cumpre expediente em Lyon e não precisa ter dedicação exclusiva à Interpol, tanto que ele acumula cargo no governo chinês, onde é vice-ministro de segurança pública.

Antes de assumir a chefia da Interpol, Hongwei ocupou cargos importantes na China, incluindo o de vice-ministro de Segurança Pública.

G1

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