Bolsonaro e Haddad: um novo duelo


Em um Brasil radicalmente dividido, o segundo turno da eleição para presidente será disputado por Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Mas mais do que um confronto entre dois candidatos, o segundo turno desta eleição marca o ápice da radicalização política no Brasil que começou com as jornadas de junho de 2013 – como ficaram conhecidas as manifestações de rua daquele ano. Bolsonaro, de certa forma, é “filho” daquela insatisfação das ruas. E Haddad a sua antítese.

O grande derrotado

A polarização que o eleitor se acostumou a ver nas cinco últimas eleições presidenciais, com PT e PSDB na disputa, não existe mais. Com os tucanos alijados do embate final, e uma nova direita ocupando o seu lugar no embate com a esquerda, a legenda se enfraquece. Para políticos do Congresso Nacional, uma coisa está clara: o PSDB vai precisar encarar mudanças.

Um novo debate

Se mesmo os assuntos que mais apareceram nesse período eleitoral talvez não tenham sido discutidos a contento, há outros temas importantes que passaram ao largo de programas, debates, comícios e do horário eleitoral.

“Qual a melhor maneira de lidar com o ativismo judicial? Qual o perfil que o Brasil espera de seus ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)? Como o Congresso pode responder às tentativas de legalização do aborto com uma agenda propositiva de defesa da vida e da família? De que maneira, concreta, a política externa brasileira pode responder ao ativismo da ONU e à ditadura na Venezuela?”

Quem está com quem?

Encerrado o primeiro turno, é hora de ir atrás de apoios. O petista Fernando Haddad começou os contatos ainda na noite deste domingo (7). Veja aqui as principais tendências para o segundo turno.

Renovação

O resultado das urnas significou um revés para boa parte dos caciques do Senado Federal, que não se reelegeram para um novo mandato. A lista de derrotados é puxada pela cúpula da Casa: o atual presidente, Eunício Oliveira (MDB), ficou em terceiro lugar no Ceará, e o vice-presidente, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), em quarto na Paraíba.

O primeiro revés

Como se esperava, a eleição presidencial vai para o segundo turno, embora por pouco o deputado Jair Bolsonaro (PSL) não tenha conseguido atingir a maioria absoluta dos votos válidos. Fernando Haddad, o preposto do ex-presidente e atual presidiário Lula, conseguiu 29% e será o adversário de Bolsonaro. Que o candidato petista fosse o segundo colocado era esperado. Mas, em que pesem vitórias como as do Ceará e da Bahia, onde Camilo Santana e Rui Costa, respectivamente, se reelegeram já no primeiro turno, o petismo amargou derrotas em colégios eleitorais bastante relevantes.

“Uma parcela expressiva dos brasileiros, assim, dá um recado bastante veemente: não quer o Brasil comandado de dentro de uma cela em Curitiba, por um criminoso condenado.”

No Paraná

Ratinho Junior é o novo governador. O candidato do PSD obteve quase 60% dos votos, superou os outros nove concorrentes e encerrou a eleição neste domingo (7) já no primeiro turno. Ratinho administrará o estado a partir de 1º de janeiro de 2019 e o mandato seguirá até 31 de dezembro de 2022.

“Em um cenário praticamente sem oponentes, Ratinho ainda se beneficiou da concentração dos eleitores sobre a eleição nacional.”

O caminho até o Palácio Iguaçu

Aos 37 anos de idade Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) chegou a sua sexta eleição com ares de veterano e consagrado como um fenômeno das urnas. Na esteira de seu carisma e da popularidade do pai, venceu cinco corridas  eleitorais que disputou, sempre com votações expressivas. E agora chega ao governo do Estado.

“Minha chegada dependeu muito da figura do meu pai. Cem por cento das pessoas que votaram em mim, votaram pelo carinho por ele. Então precisava construir o meu caminho, algo que é lento. Esse processo de você desmembrar imagem, de as pessoas verem você, terem confiança em você”, disse, em entrevista à Gazeta do Povo, no ano passado.

Surpresas

Contrariando todas as perspectivas e pesquisas eleitorais realizadas ao longo da campanha, Professor Oriovisto Guimarães (Pode) e Flávio Arns (Rede) vão ocupar as duas vagas ao Senado pelo Paraná. Eles foram eleitos com, respectivamente, 29% e  23% dos votos válidos.

1º colocado

Durante a campanha, Oriovisto engajou-se em correr o interior do Paraná em eventos ao lado de Ratinho Júnior. Em Curitiba, era amplamente conhecido, por ter sido professor e por ser vinculado a uma das marcas empresariais mais fortes do estado. Na televisão, pouco falava sobre suas ideias – suas bandeiras foram o combate à corrupção e a defesa das reformas urgentes, como a política e a previdenciária. Apresentava-se como “professor Oriovisto, de nome incomum”. Agora os cidadãos paranaenses terão ao menos oito anos para se acostumar com o nome de seu novo senador.

Derrota surpreendente

Após aparecer como líder nas pesquisas de intenção de voto desde o início da campanha, Roberto Requião (MDB) acabou sofrendo uma virada e não conseguiu se reeleger ao Senado. No Twitter, ele atribuiu sua derrota ao “efeito Bolsonaro”, a “calúnias” que teria sofrido às vésperas da eleição e às pesquisas.

Nocaute

O ex-governador Beto Richa (PSDB) também sofreu uma derrota significativa. Envolvido em denúncias de corrupção, o tucano amargou um sexto lugar, com menos de 4% dos votos válidos (377.834 votos). Desde de 2001, Richa vinha ocupando cargos eletivos. Ele ainda não se manifestou sobre o resultado das urnas.

Especiais Gazeta do Povo

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