Bolsonaro diz que pode não ir a debates por estratégia

Em sabatina na Rádio O POVO/CBN ontem, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que, "estrategicamente, pode não ir a debates" na televisão com o seu adversário Fernando Haddad (PT). Na entrevista à rádio, o deputado federal usou a proximidade do postulante do PT com o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, como fator para que não aceite ir aos encontros na TV e rádio.

"Estou conversando com o Haddad ou o ventríloquo do Lula?", ironizou o militar, que cancelou participação em debate da Rede Bandeirantes.

O candidato, porém, manteve agenda em eventos partidários. Ontem, por exemplo, reuniu-se com parlamentares eleitos pelo PSL num hotel no Rio de Janeiro.

Questionado pelos jornalistas da Rádio O POVO/CBN se não seria injusto com o eleitorado ausentar-se dos debates, Bolsonaro respondeu: "Os eleitores me conhecem. Eu não comecei agora. Estrategicamente, eu posso decidir não ir".

O deputado também foi confrontado com os ataques recentes supostamente praticados por seus apoiadores contra eleitores de Haddad. "Eu lamento, mas quem levou a facada fui eu. Eu sou vítima daquilo que eu prego", disse o ex-capitão. "Gostaria que não tivesse acontecido. Eu condeno, sim. Não quero o voto desse tipo de gente."

Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições com 46% dos votos válidos ante 29% do candidato petista. De acordo com rodada recente do Datafolha, ele tem 58% da preferência dos eleitores contra 42% de Haddad.

Por recomendação médica, o militar da reserva, que foi alvo de atentado a faca enquanto fazia atividade em Juiz de Fora (MG) no dia 6 de setembro, está impedido de participar da campanha até o dia 18.

A Rádio O POVO/CBN também sabatinou ontem o candidato do PT, Fernando Haddad. Sobre a acusação de Bolsonaro de que o petista não tem autonomia, o ex-prefeito de São Paulo rebateu afirmando que é "uma pessoa que conversa com todo o mundo político, inclusive com quem pensa diferente de mim".

E completou: "Não é o caso do Bolsonaro, que quer fuzilar quem pensa diferente dele". O petista aproveitou para alfinetar o rival: "Meu adversário tem 28 anos na Câmara destilando ódio contra nordestino, contra mulher, contra petista. Ele é um homem impróprio para o debate democrático".

Em relação à composição de um eventual governo, o candidato limitou-se a dizer que não deseja ter "um banqueiro no Ministério da Fazenda, como o Paulo Guedes".

Ao falar sobre apoios no segundo turno, Haddad admitiu que havia procurado o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que chegou a se mostrar interessado em disputar a Presidência pelo PSB, mas recuou depois. "O Joaquim deixou claro que pretende se manter reservado na vida privada", respondeu.

HENRIQUE ARAÚJO / O POVO

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