Após 10 anos do caso Eloá, amiga sobrevivente deve receber R$ 150 mil

Em segunda instância, a Justiça de São Paulo condenou o governo de São Paulo a indenizar, por danos materiais, morais e estético, Nayara Rodrigues, em R$ 150 mil. Nayara foi atingida com um tiro no maxilar durante o sequestro de Eloá Pimentel, em 17 de outubro de 2008. As duas foram mantidas em cárcere privado por Lindemberg Alves, que não aceitava o fim do relacionamento com Eloá, morta, ao fim do sequestro, pelo ex-namorado. 

Nayara foi liberada pelo sequestrador, mas voltou ao local do cárcere dois dias depois por orientação policial. Á época, especialistas criticaram a decisão. De volta à casa, Nayara foi atingida com um tiro no maxilar e Eloá assassinada, após entrada da polícia no apartamento - a justificativa dos agentes para entrar no local foi de que ouviu-se um disparo. No entanto, isso não aconteceu. 

A Procuradoria-Geral de São Paulo afirma que apresentou recurso contra a decisão. Porém, a Justiça não definiu data para avaliação do recurso. 

A decisão de que o Estado pague Nayara foi publicada em 19 de setembro, assinada pelo desembargadorEvaristo dos Santos. A decisão é baseada no argumento de que a vida de Nayara foi colocada em risco pela Polícia Militar, ao autorizar o retorno ao cativeiro.

O Caso

O sequestro

Nayara, Iago e Victor foram surpreendidos por Lindemberg. De arma em punho, ele dominou Eloá. Todos foram para o quarto de Eloá. Ao entrar no quarto, Lindemberg deu um tapa no rosto de Iago. Em seguida, perguntou a Victor quem era e o que fazia lá. Ele disse que era colega de classe. Lindemberg deu um tapa no rosto de Victor questionando a veracidade das respostas (...)

Nervosismo

Lindemberg demonstrava estar nervoso com fim de relacionamento e pelo fato de não aceitar que ela não queria voltar para ele. (...) Nayara, Iago e Victor conversaram com ele para acalmá-lo. Lindemberg ordenou que não falassem alto, que não chamassem atenção dos vizinhos. Ele dizia o tempo todo que estava uma pilha de nervos e que não sabia o que iria fazer. Lindemberg agrediu Eloá com tapas, chutes e puxões de cabelo. (...)

Estado emocional

O emocional dele alternava calma e tensão, quando ameaçava a todos. (...) Sempre que Lindemberg ia à janela usava Nayara e Iago como escudo. Ele os segurava pelo pescoço apontando a arma para suas cabeças. (...)

No fim da tarde de segunda, alguém tocou a campainha do apartamento, o que irritou Lindemberg. Ele ordenou todos a ficarem em silêncio. (...)

Ligações

No início da noite, Nayara recebeu uma ligação da mãe. (...) Lindemberg deixou atender, mas ordenou que ela dissesse que tudo estava bem. (...) Os telefones de Nayara, Eloá e da casa não pararam de tocar, mas Lindemberg proibiu de atender. Uma das ligações foi atendida por Lindemberg e era o pai da Eloá, seu Aldo. Ele passou o telefone para Nayara (...) Ela foi orientada a dizer que os quatro estavam em seu poder, que estava armado e ninguém poderia se aproximar. A polícia não devia ser acionada. Seu Aldo pediu para Lindemberg deixá-lo ir até lá, mas ele não deixou. O pai de Eloá conversou com Lindemberg por telefone e disse que o tinha como filho. (...) Lindemberg disse que o respeitava e o considerava e que tinha muita amizade pelo pai de Eloá, mas seu Aldo havia pisado na bola com ele. (...) Lindemberg não sabia o que iria fazer e a sua intenção era encontrar Eloá sozinha. (...)

Tensão

Nayara só percebeu que era noite quando a PM chegou. E o clima ficou mais tenso. Os PMs tentaram falar com Lindemberg. (...) Victor passou mal. Nayara pediu para Lindemberg deixar Victor sair. Lindemberg relutou e permitiu. (...) Iago, no quarto, passou mal. Nayara pediu para Lindemberg liberar Iago. (...) Ele aceitou, mas advertiu Nayara que após soltá-lo ela e Eloá seriam mantidas em cárcere.

"Eu sou o cara"

Após a libertação de Iago, Nayara foi ao banheiro e Eloá ficou no quarto. O sargento Atos estava no átrio do prédio, falando com Lindemberg pelo celular. Nayara segurou o aparelho. (...) Lindemberg disse que os PMs não estavam acreditando nele e que somente iriam "botar uma fé" quando uma das reféns fosse morta. Em seguida, Lindemberg disse "olha o que eu vou fazer" e deu um tiro na direção do sargento. Em seguida, ele começou a rir e disse: "eu sou o cara".

PM com medo

Em novo contato com a PM, Lindemberg pediu que um PM voltasse, mas eles falaram que não iriam por causa da atitude dele (o tiro). Lindemberg achou divertida a conversa e comentou que os PMs tinham medo.

"O príncipe do gueto"

Conversando com o sargento pediu para todas as pessoas e PMs se afastarem. (...) Lindemberg e Nayara foram ao banheiro e ele viu que prédio estava isolado. Foi quando ele disse que "era o príncipe do gueto e que ele era o cara que mandava no local".

O torpedo

Depois disso, os dois voltaram ao quarto e Lindemberg começou a se acalmar, tratando Eloá de forma mais afetiva e simpática até o momento em que ele pegou o celular de Eloá e viu um recado. Ele perdeu controle, começou a questionar Eloá e Nayara. (...) Ele foi ao banheiro com Eloá e viu os PMs. Viu pessoas e atirou contra elas. (...) Ele ligou para quem mandou mensagem, Felipe, e fingiu ser o irmão mais velho de Eloá. Falou para Felipe que já sabia do "affair" do casal. Felipe desconversou quando Eloá gritou e fez Felipe desligar. Lindemberg deu um tapa em Eloá. Ele ligou para Felipe, que desconversou e desligou.

Beijo à força

(...) Lindemberg amarrou Eloá e Nayara com fita adesiva e camiseta. (...) Lindemberg tentou beijar Eloá. Forçou Eloá a beijá-lo, quando ela fingia dormir. Lindemberg não tentou mais nada com Eloá, que dormiu. Na terça-feira, Lindemberg acordou Eloá com tapas. Eloá começa a gritar quando Lindemberg ameaçou agredir Nayara.

Tevê e mudança de ideia

(...) Depois do almoço, voltaram para tevê e viram um programa que mostrava o caso e isso deixou Lindemberg irritado, porque uma pessoa disse que se houvesse tentativa de invasão todos sairiam mortos. Lindemberg já havia manifestado intenção de soltar Nayara, mas pelo que viu na tevê, mudou de idéia.

Negociadora

Nayara tentou começar a convencê-lo a liberar todos. Ele quase atendeu e disse que nada de mal aconteceria. Lindemberg foi informado pelo negociador sobre a troca de turno, o que irritou Lindemberg. Lindemberg percebeu imprensa. (...) Com o escurecer, Lindemberg quis falar com os negociadores e pediu que energia fosse religada e renegociou reféns. (...) Nayara continuou a conversar com ele, e Lindemberg prometeu liberá-la na quarta. Ela disse que seria melhor ele a soltar à noite. Ele retrucou, dizendo que ela seria liberada naquela noite mesmo.

Libertação de Nayara

Lindemberg ligou para o negociador para restabelecer a energia elétrica. Lindemberg estava negociando quando acabou a bateria do celular e energia voltou. Ele teve disposição em libertar Nayara. (...) Lindemberg alternava momentos em que dizia que libertaria Nayara e outros não. Ela começou a negociar com Lindemberg dizendo que ele daria sua palavra. Após breve discussão, ele ficou pensativo por uns instantes, acendeu a luz, e levou Nayara até a porta e a mandou correr para sair. Lindemberg disse que se ela saísse devagar poderia receber tiro nas costas (...) 

O Povo


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