Crônica de quinta: Vida de clichês

Foto: Ilustração 
Sempre fiquei imaginando o momento em que minha vida exigiria de mim pausas. Quando o corpo já não responder mais à correria do mundo moderno. Quando o que fará parte da minha rotina será olhar a vida passar (ou não). 

Sempre gostei de ficar sozinha, de sentar nas praças da cidade e ficar por ali, vendo aquilo que o tempo faz com as pessoas. 

Um senhor, que aparentava ter seus 66 anos, sentou-se ao meu lado, e falou do tempo e como aquele estava quente. Concordei, e sabia ali que ele desejava puxar assunto, cearense puxa assunto reclamando do tempo, se tá quente ou não. Olhei-o, sorri. "A vida é boa não, é?"
Pode ser que sim. Pra saber viver é preciso saber jogar, e saber jogar precisamos saber perder. Saber perder te dá a garantia de ganhar sempre algo. A sabedoria começa quando aceitamos perder algo, se não sabemos perder, sempre estaremos de mãos vazias e nos tornamos pessoas ranzinzas e perdemos a graça de viver." 
Eu não tinha mais nada a dizer, se não apenas concordar. 

Durante o tempo que tive essa conversa, eu estava refletindo sobre os clichês da vida que sempre nos exigem. O roteiro que insistem em nos sugerir. Como entrar na faculdade aos 18 anos, noivar aos 30, casar, ser bem sucedido lá pelos 40 e etc. E eu percebi que a vida que vivemos para além dos clichês não tem garantias. Tem vida. E isso basta. A construção do mundo para onde vamos é nossa responsabilidade, a ânsia de viver nos leva para além dos clichês.

Texto: Gisélia Silveira 

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