Malala financiará projeto educacional em Pernambuco por três anos

Foto: Divulgação/ Mirim Brasil
Fundado em 1990, com a missão de lutar pelos direitos humanos com foco na infância, adolescência e juventude, o Movimento Infantojuvenil de Reivindicação (Mirim Brasil), que atua em Pernambuco, foi uma das três entidades escolhidas no País para receber financiamento do Fundo Malala, através da Rede Gulmakai. O anúncio foi feito nessa terça-feira (10). A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, 20 anos, está em sua primeira passagem pelo Brasil. Durante palestra, na última segunda-feira (9), ela anunciou que encontraria meios para garantir educação a 1,5 milhão de meninas que estão fora das salas de aula no País.

De acordo com a presidente da entidade pernambucana, a jornalista Sylvia Siqueira Campos, o apoio será dado a um projeto com duração de três anos, que já vem sendo discutido há cerca de dois meses. Os detalhes ainda não podem ser divulgados, mas o trabalho terá como foco a formação e mobilização de meninas para atuarem na construção de políticas públicas no Estado. A prioridade é trabalhar com meninas negras, quilombolas e indígenas, aquelas que mais sofrem violação de direitos. Em quase 28 anos de atuação, a ONG já atingiu mais de 20 mil crianças e jovens de comunidades carentes do Estado.

Além da Mirim Brasil, duas ONGs brasileiras receberão apoio do Fundo Malala. Uma delas é a Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), criada em 1979 e oficializada em 1992. A ONG atua em Salvador, na Bahia, com foco na educação de meninas indígenas. A outra é a Ação Educativa, de São Paulo, fundada em 1994, que realiza atividades de formação e apoio a grupos de educadores, jovens e agentes culturais.

Este é o primeiro investimento do Fundo Malala na América do Sul. Atualmente, a Rede Gulmakai tem cerca de 20 integrantes e atua em seis países: Afeganistão, Líbano, Índia, Nigéria, Paquistão e Turquia.

Na terça-feira, Sylvia esteve em Salvador, durante a visita de Malala à capital baiana. A agenda da paquistanesa no Brasil não foi divulgada. Mas, para a ativista pernambucana, a escolha do País já tem um valor muito grande. “Desde o que aconteceu com ela (o atentado em 2012), Malala passa seu aniversário visitando um local onde ela ainda não foi. Desta vez, o Brasil foi escolhido para travar a luta dela pelo direito a educação de meninas.”

Malala

Malala Yousafzai, que completa 21 anos nesta quinta-feira (12), se tornou a mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz, em 2014. O reconhecimento veio dois anos após o atentando que quase tirou a sua vida. A menina, que aos 11 anos, escrevia para um blog sob o pseudônimo Gul Makai, denunciando as limitações impostas pelo Talibã às meninas no Paquistão, foi vítima de um ataque enquanto ia para a escola, em 2012, aos 15 anos. Ela sobreviveu e foi levada para a Inglaterra. Desde então, seu nome é símbolo de luta pela educação de meninas ao redor do mundo. "São meninas que estão tendo o seu direito negado, como ocorreu comigo. Quero, com vocês, encontrar formas de garantir que tenham acesso a uma educação de qualidade, que significa dar condições a elas de saber ler e escrever e também de sonhar", afirmou a ativista durante palestra em São Paulo, na segunda-feira.

O Povo

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