Análise: disputa entre Marina e Ciro por 2º turno pode definir próximo, ou próxima, presidente

Foto: Agência Brasil 
Em pesquisa, sobretudo há mais de dois meses da campanha, não basta olhar quem está na frente ou atrás. O conjunto dos números do Datafolha, cruzados com a conjuntura política, indicam para o favoritismo de momento de Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) na sucessão presidencial. Claro, tudo isso é panorama de agora, a considerar que o instituto conseguiu captar o real sentimento do eleitor. Desde a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dois meses atrás, pouca coisa mudou nos números. O início da campanha certamente trará ingredientes novos. Porém, Marina e Ciro têm vantagens importantes.

Eles disputam parcelas parecidas do eleitorado. Por isso, um segundo turno entre os dois não é o cenário mais provável. Eles devem disputar entre si por um lugar na fase decisiva da campanha. Desse embate é possível que saia o próximo, ou a próxima, presidente da República.

O primeiro olhar para a pesquisa indica Lula na frente. Porém, preso, condenado e réu em grande número de processos, o mais provável é que ele não seja candidato.

Sem ele, então, Jair Bolsonaro (PSL) aparece na frente. O pré-candidato se mostrou indignado com a pesquisa Datafolha, mas ela não foi ruim para ele. Na comparação com abril, ele está dois pontos percentuais acima, tanto nos cenários com quanto sem Lula.

Porém, também precisam ser observados outros fatores. Bolsonaro é forte e tem adesão de eleitorado inflamado. Tem encontrado nas redes sociais e grupos de WhatsApp mecanismo poderoso de divulgação. Porém, talvez não seja o suficiente para compensar os poucos segundos que deve ter no horário eleitoral. A principal perspectiva de aliança, com o PR, está mais distante. Faltam a ele estrutura partidária, alianças, recursos, espaço. Nada disso significa que ele está derrotado, mas é o bastante para dizer que ele não chega a ser o favorito.

Outro dificultador para Lula e Bolsonaro são os índices de rejeição, de 36% do petista e 32% do deputado do PSL. Ficam abaixo apenas dos de Fernando Collor (PTC) - 39%. Aspecto extra para Bolsonaro está no fato de que as candidaturas de centro-direita, como de Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), estão mal. Porém, são as que têm mais tempo, recursos e estrutura. É de se esperar que subam, mesmo que um pouco. Assim, é mais fácil tirarem votos de Bolsonaro que dos candidatos de centro-esquerda.

Além disso, o Datafolha mostrou as dificulades que ele teria nos cenários de segundo turno - e isso foi o que mais o deixou irritado na pesquisa. Marina leva a melhor em todas as simulações, exceto contra Lula. Ciro fica em empate técnico na maioria e só perde de Marina. Esse aspecto mostra a força de ambos e serve para enfatizar esse possível vavoritismo. Todavia, se o cenário de primeiro turno é incerto, asimulação de segundo turno a essa altura é menos palpável ainda.

Marina e Ciro também têm suas dificuldades. A candidata da Rede, como Bolsonaro, não tem grande partido, forte arco de apoios ou tempo de rádio e televisão. O ex-ministro, por sua vez, já desperdiçou outras chances pelos próprios erros. As chances dele estão condicionadas a presença ou não de Lula na disputa. O percentual dele quase dobra nos cenários sem o ex-presidente. Ciro disse que dói a ele a perspectiva de o petista não concorrer, mas é o que dá chance a ele.

Geraldo Alckmin (PSDB) segue decepcionando. Porém, tem mais apoios, recursos e estrutura que Bolsonaro, Marina e Ciro. Isso pode fazer a diferença. Não à toa Ciro acredita que ele estará no segundo turno. Isso se o PSDB for com ele até o fim.

Lula, porém, talvez seja determinante mesmo fora da disputa. A pesquisa mostra que 30% dos eleitores afirmam votar em quem ele indicar e 17% dizem que talvez votassem em indicado por ele. Porém, quando essa indicação ganha nome, a transferência não é tão automática. A ponto de os possíveis substitutos de Lula dentro do PT não passam de 1%. Além disso, segundo a pesquisa, 51% afirmam que o apoio do petista os levariam a rejeitar um candidato.

O Povo
 

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