"Acordei com as crianças chamando", diz tia das vítimas de incêndio em Itaitinga

Foto: Gustavo Simão 
Antônio Ruan Gonçalves, 5, e as meninas Maria Estela Gonçalves, 6, e Maria Eloá, 2, eram como quaisquer crianças das suas idades. Vítimas de um incêndio nesta madrugada, 4, no bairro Barrocão, em Itaitinga, eram carinhosas e tinham costume de brincar na calçada de casa. Eram queridas também pelos vizinhos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, que foi acionado às 2h50min, o incêndio começou no quarto onde dormiam as crianças e se alastrou rapidamente. Na residência, com as crianças, estava apenas um tio que, mesmo com o fogo se espalhando, só acordou quando vizinhos conseguiram entrar no imóvel. Os pais, Elizângela e Robson Gonçalves, não estavam em casa.

Perícia Forense esteve no localUm caminhão de combate a incêndio (AT 21), uma viatura de Salvamento (Salvamento 02) e uma Resgate (Alfa 04) prestaram socorro. A Perícia retirou o corpo das crianças, que estavam sob escombros, nesta manhã. O quarto onde as crianças dormiam foi destruído pelas chamas e outros cômodos atingidos.

"Eu acordei com as crianças chamando. Saí na rua, vi o fogo alto já e fiquei gritando por ajuda. O Corpo de Bombeiros mesmo demorou muito a chegar. Foram mais de 10 ligações. Os vizinhos que ajudaram a apagar o fogo com balde d’água", conta Raniele Gonçalves, irmã de Robson. “Teve um vizinho que se enrolou numa toalha para tentar entrar, mas não conseguiu porque o calor estava muito forte e acabou passando mal”.

As três crianças moravam com os pais e o tio na casa. Vizinho à residência moram outros familiares, incluindo a avó, que foi uma das primeiras pessoas a perceber o fogo e pedir ajuda. Um dos cômodos da casa foi atingido pelo incêndio. O POVO Online contatou o Corpo de Bombeiros para saber a situação da casa, mas as ligações feitas esta tarde não foram atendidas.

Contradição nos depoimentos

É de contradição o cenário levantado pelo Conselho Tutelar de Itaitinga. Corpo de Bombeiros, Polícias Militar e Civil e Perícia Forense do Estado também estiveram no local esta manhã. Após ouvir os familiares das crianças, conselheiros tutelares apontaram inicialmente depoimentos contraditórios.

"Estamos conversando com alguns familiares, mas cada um vem com uma versão diferente. Vamos fazer um relatório e encaminhar para o Ministério Público pra ver quais providências serão tomadas", afirma a conselheira tutelar Maria José dos Santos. "Um deles conta que deixaram as crianças pouquíssimo tempo sozinhas e, de repente, aconteceu esse incêndio. Um conta isso, outro conta outra versão".

“Percebemos receio em falar, medo”, diz o conselheiro tutelar Miguel Bessa. Eles preparam relatório para acionar o Ministério Público do Estado do Ceará (PMCE).

Inspetor da Delegacia de Itaitinga, Eudes Muniz diz que o inquérito foi aberto e que os familiares, principalmente os pais, devem ser ouvidos ainda hoje. “A Polícia Civil não entrou no local porque a Perícia já entrou. Caso contrário, também não pode haver violação do local. O laudo pericial tem até 10 dias para ser concluído, mas em um caso como esse pode levar menos tempo. Vamos apurar se há ou não chance de alguém ser responsabilizado criminalmente”, afirma. “Em todo os meus anos de Polícia, que já são muitos, vi poucas vezes uma situação como essa. É uma tragédia enorme.


O Povo 

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