Crônica de quinta: "O like é o novo Prozac"

Foto: Ilustração
Acordo. Checo o whatsap, vejo algumas postagens no Instagram de meus amigos, visualizo stories, vejo quem visualizou o meu.

Pronto. O dia começou. 

Antes meu dia começava depois de abrir os olhos e refletir por algum momento. O mundo podia esperar um pouco. Hoje há uma necessidade de ser notada e de mostrar que notei o outro. 

A rotina mudou. 

Acompanho tantas pessoas nesta rede social, vejo fotos, sei dos lugares que frequentam, mas não sei nada sobre elas. Isso me deixa tão frustrada. 

Nos tornamos tão  visuais. 

Quantas pessoas eu conversei ou olhei nos olhos hoje? Quantas pessoas ouviram minha voz? 

Perdemos o toque. 

Vivemos em relações líquidas que não matam minha sede. Estamos conectados a uma mesma rede, porém agindo como se nada existisse. É como se você não existisse, se nao postar alguma coisa. Parece que você não existe fora do clique. 

Sou apaixonada pelo contato humano. Eu sinto falta das conversas diárias, dos segredos revelados, dos sorrisos que se encontram. 

Quero poder encontrar pessoas numa conversa de olhos.

Gisélia Silveira

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