Crônica de quinta: Barquinho de papel

Foto: Gisélia Silveira
Durante a minha infância, existia na minha casa um quintal grande, e quando chovia, uma poça enorme era formada. Enquanto estava seco, ali era espaço para meus irmãos e eu jogarmos bila. Após às chuvas, quando aquela água se acumulava, ali se tornava o poço dos desejos, o lago-maravilhoso-da-gi. Muitas histórias eu inventava para aquele meu mini-rio. Mas o melhor de todos era fazer barquinhos de papel e inventar histórias mirabolantes de navegadores.

Meus barquinhos enfrentavam grandes batalhas, alguns venciam, outros eram derrotados pela força da correnteza. Acreditem, os monstros que rondavam aquele rio não era pra qualquer um. Teria que ser forte e valente para enfrentar tudo aquilo.  Eu era minha própria velejadora, próprio navegador, meu fantástico mundo, e tudo ali, no meu quintal.

Hoje em dia tudo é tão pronto. Perdemos horas de brincadeiras no jardim ou no quintal para ficar em joguinhos do celular. Certa vez meu sobrinho de 7 anos estava na minha casa (avó dele) e pediu o celular ao pai. Meu irmão que sempre gostou de brincar na rua disse: "Que celular, cara?! Vai caçar, vai ver o que as formigas estão fazendo, vai encontrar a casa delas, e imagina o que elas podem ter lá dentro". Eu achei aquilo tudo tão lindo e tão verdadeiro.

Aprendi histórias por mim mesma. Eu no jardim e no quintal da minha casa. A simplicidade tem uma forma de ser. Ah, deixa eu contar um segredo pra vocês [segredo tá?] Lá no jardim da minha casa tem uns cogumelos, e sim, eu acredito em fadas.

Gisélia Silveira

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