Irmãos Batista prometem revelar detalhes que provariam propina de R$ 20 milhões a Cid Gomes

Foto: Mateus Dantas
Joesley e Wesley Batista, da JBS, prometeram dar detalhes sobre supostos pagamentos de propina ao ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), segundo o jornal O Globo. O dinheiro teria sido recebido pelo político como doação eleitoral, conforme denunciam os empresários. Nesta terça-feira, 24, o jornal noticiou a ampliação das delações premiadas dos executivos e entrega de documentos que comprovariam as suspeitas de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Quase um ano depois do início do escândalo, com as delações, o caso do ex-governador teve o primeiro desdobramento na Justiça Federal do Ceará. No último mês de março, o juiz Danilo Dias Vasconcelos de Almeida, da 12ª Vara Federal, determinou que a Polícia Federal instaure inquérito para apurar acusações contra Cid no caso.

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) irá apresentar parecer apontando quais diligências poderão ser realizadas pela autoridade policial. Cid é pré-candidato ao Senado.

Delações

Joesley promete mais informações sobre 32 anexos apresentados no ano passado, que reforçam as acusações da delação inicial, homologada em maio. São supostos acertos criminosos com vários políticos, partidos e seus operadores financeiros.

Entenda

Em delação fechada em maio de 2017, Wesley acusou Cid de ter negociado a liberação de créditos de ICMS da empresa Cascavel Couros, do grupo JBS, em troca de doações milionárias à campanha de CamiloSantana ao Governo em 2014.
Segundo o empresário, o ex-governador teria procurado pessoalmente o grupo e o esquema teria operado também em 2010. Ainda de acordo com o depoimento, Cid teria condicionado repasse de créditos da Cascavel Couros com o Estado, em R$ 110 milhões, a repasses para campanhas eleitorais.

Como acusações envolviam os secretários Antônio Balhmann (Relações Internacionais) e Arialdo Pinho (Turismo), Cid chegou a tentar que o caso ficasse no Supremo Tribunal Federal, por conta do foro privilegiado de ambos. O ministro Edson Fachin, relator do caso na Corte, no entanto, mandou que acusações do ano de 2010, onde os secretários não são citados, “descessem” para a 1ª instância no Ceará.

Em sua defesa, Cid Gomes negou irregularidades e disse que acusações de Wesley não batem com o volume de recursos liberados pelo Estado para a JBS. O ex-governador também abriu ação contra o delator por calúnia e difamação.

“Não é possível fazer vinculação de qualquer tipo para esses pagamentos. Isso não é da minha índole, jamais foi feito. Nós temos regras e critérios para campanhas”, afirmou Cid, à época da delação da JBS. “Repudio referências em delação que atribuem a mim o recebimento de dinheiro. Nunca recebi um centavo da JBS”.

O Povo

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