Entenda como a entrevista de Gleisi Hoffmann em TV árabe gerou uma onda de boatos pelas redes sociais

Foto: Divulgação 
Depois que a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, fez um vídeo que foi veiculado na rede de televisão Al Jazeera, do Qatar, uma fake news tomou de conta das redes sociais. Usuários começaram a replicar a ideia de que Gleisi estaria pedindo apoio à terroristas para livrar o ex-presidente Lula da prisão. Segundo colunista do Estadão, uma investigação foi aberta para investigar a senadora pelas declarações à emissora árabe.

Porém, o que está aberto é um pedido de apuração extra-juducial, conhecido no meio jurídico como "notícia de fato", que é acatado a partir da Sala de Atendimento ao Cidadão do órgão.

Qualquer indivíduo pode fazer o tal pedido, mas a "notícia de fato", inicialmente, se trata de um trâmite burocrático, no entanto, uma investigação da Procuradoria Geral da República (PGR) poderá acontecer dependendo do que apurar a equipe da subprocuradora Raquel Branquinho, a responsável pelo caso.

Em sua conta oficial no Twitter, Gleisi rebateu as críticas afirmando que deu entrevistas com o mesmo conteúdo para veículos de outros países como a britânica BBC, a portuguesa RTP e a espanhola EFE. As recentes entrevistas de Gleisi servem para divulgar uma espécie de ofensiva midiática pró-Lula divulgando a versão de que a prisão do ex-presidente se deu por motivos políticos.

No Twitter, a hashtag #GleisiTerrorista foi criada e milhares de usuários replicaram mensagens contrárias ao suposto pedido de apoio da petista aos árabes. Alguns até chegam a confundir a rede de TV Al Jazeera com o grupo terrorista Al Qaeda, o que rendeu os comentários mais revoltosos.

Após a repercussão do vídeo veiculado na Al Jazeera, a senadora Ana Amélia (PP-RS) afirmou que Gleisi poderia ter violado a Lei de Segurança Nacional, por supostamente ter provocado "atos de hostilidade" contra o Brasil. As declarações de Ana Amélia causaram um clima de animosidade com a petista que rebateu as acusações. "O incômodo dessa senadora não foi com o conteúdo da minha fala, e sim a emissora com quem falei".

O argumento de Ana Amélia foi usado pelo deputado federal Major Olímpio (PSL-RJ) para fazer a solicitação à PGR a abertura de investigação ("notícia de fato"). A Lei de Segurança Nacional, a qual os parlamentares falam, data de 1973 e delibera que "entrar em entendimento ou negociação com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, para provocar guerra ou atos de hostilidade contra o Brasil" seria crime, de acordo com o artigo oitavo da lei.

Sites especializados em notícias falsas divulgaram uma versão do vídeo editada com um pedido de ajuda a terroristas. No Facebook, essas matérias chegavam a milhares de visualizações. Uma das notícias falsas teve mais de 14 mil compartilhamentos. No Twitter, um site anti-PT convocou um twitaço na quarta-feira, 18, com o uso de #GleisiTerrorista.

Em pronunciamento no plenário do Senado, a senadora petista comentou sobre a entrevista à TV árabe e disse que as críticas feitas "não passam de ignorância, preconceito e xenofobia ao povo árabe".

Após a grande repercussão, alguns perfis no Twitter começaram a desmentir a "notícia" de que Gleisi teria pedido apoio de rede terrorista.

Para esclarecer:


A rede de TV Al Jazeera é o grupo de comunicação árabe de maior relevância, havendo também programas sendo transmitidos em língua inglesa;

Diferente do que algumas páginas do Facebook acusam, a senadora não incita grupos terroristas;

O Quatar não é conhecido por ter grupos terroristas atuando em seu território;

No vídeo, Gleisi fala sobre a prisão de Lula comentando sobre suposto indiciamento por motivos políticos;

Na gravação, Gleisi diz que “o objetivo da prisão é não permitir que Lula seja candidato na eleição deste ano”;A petista convida “a todos e a todas” a se juntarem à uma campanha pela libertação do ex-presidente;

"O Brasil recebeu milhões de árabes e palestinos, mas Lula foi o único presidente que visitou o Oriente Médio”, disse a senadora justificando o pedido de apoio;

O Povo

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