Em áudio, membros de facção negociam transferência de presos

Foto: Ilustração 
Áudios divulgados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) na noite de ontem demonstram suposta comunicação entre diretor de presídio de Itaitinga (Região Metropolitana de Fortaleza) e membros de facções.

As interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, foram colhidas durante as investigações da Operação Masmorras Abertas, do MPCE e Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança do Estado, deflagrada na segunda-feira, 16.

Nos áudios, integrantes de facções discutem custos de transferência de presos entre celas e ruas de presídios. Membros da cúpula do sistema prisional do Estado conversam com esses intermediadores.

Edmar de Oliveira Santos, coordenador do Sistema Penal, e Herlano Walquer Falcão Macieira, diretor da Casa de Privação Provisória de Liberdade II (CPPL II), estão entre os nomes identificados. Ambos foram afastados das atividades, além de outros cinco servidores ligados à Secretaria da Justiça do Estado (Sejus).

Edmar tinha sido preso na última segunda por porte ilegal de arma, sendo solto dois dias depois, em audiência de custódia. A medida era parte da operação, considerada a maior ação de combate à corrupção já realizada pela Sejus. No total, sete agentes penitenciários foram afastados, sendo seis deles coordenadores do sistema prisional ou diretores de unidades.

Além de Herlano e Edmar, foram afastados pelo período de 60 dias: Celso Murilo Rebouças de Mendonça, agente penitenciário e coordenador-adjunto da Cosipe; Paulo Ednardo Oliveira de Carvalho, agente penitenciário e coordenador da Copat; Mauro César Ximenes Andrade, agente penitenciário e diretor-adjunto da CPPL I; Francisca Celiane de Almeida Celestino, agente penitenciária e diretora do Cetoc; e João Augusto de Oliveira Neto, agente penitenciário.

Nos áudios, é possível ouvir conversas entre três integrantes de facção identificadas como Gizeuda, Lu e “Mimosa”. “Transferência de rua pros meninos ali é R$ 600, R$ 800, é mil... Pro Rafael (Xilito) (líder de facção), vai ser uns R$ 2 mil”, comenta Gizeuda. Em seguida, ela faz menção a suposto repasse para Mauro, identificado como diretor-adjunto da CPPL I. “Tipo assim, saía R$ 1.500, R$ 500 teu e R$ 500 pro... e R$ 1.000 pro Mauro?”, completa Lu.

Ao todo, foram divulgados cinco áudios, que incluem ainda conversas das supostas integrantes de facção com Edmar e Herlano. 

O Povo

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