Crônica de quinta: Os Girassóis e Nós

Foto: Giselia Silveira 
Cresci vendo minha mãe com as mãos sujas de terra e adubo tentando plantar mais uma muda.
Contaram-me quando menina, que os girassóis se movimentam de acordo com o astro sol. Eu achei aquilo encantador, e desde então minha flor preferida tornou-se o Girassol.
Mas afinal, se o Girassol gira de acordo com o sol, o que fará ele em dias nublados?
Quando o sol está ausente, os girassóis se voltam uns para os outros, e encontram força para continuar se movimentado. O movimento ajuda no desenvolvimento da flor.
Girassol para florir leva tempo. E quando abre aquela flor, geralmente despenca. É porque talvez o talo é frágil demais para a grandiosidade da flor, cai por terra, exausto da própria criação.
Durante a fase adulta, os girassóis param de girar e se voltam para o oriente - "nascente", onde o sol nasce - até morrerem.
As flores nos ensinam que cada coisa tem seu tempo. Os jardins não se redem às urgências do mundo. É o que é, e pronto. Cresce, floresce em silêncio, isso nos lembra que muito mais vale o silêncio do que a palavra errada no momento errado. De que adianta florir rapidamente e não durar muito tempo, não ser forte e bonito?
Girassol podia até ser um elogio: "Você está tão Girassol hoje". 

Gisélia Silveira 

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