Crônica de quinta: Carta ao jovem estudante

Ilustração: Karina Kuschnir
Quando você diz "estou escrevendo TCC", começam a te dar uma lista de coisas que devem e que não devem fazer, e ainda parecendo fórmulas mágicas para ver ali o projeto pronto, terminado.
A verdade é que não existe o caminho certo. Existem pistas, e que essas serão dadas por professores/orientadores. O processo de escrita é solitário. Da escolha do tema ao colocar as considerações finais. Comigo tem funcionado com um vinho, jazz, outras vezes Milton Nascimento, misturados com Engenheiros do Havaí. É um momento meu e do meu objeto, por quê fazer desse momento um terror? Quando estou enlouquecendo com tantas mesmas leituras, eu paro, vou ler crônicas e Clarice Lispector, essas leituras me lembram do que eu gosto em mim. Ou vou rir um pouco assistindo um episódio de Friends.
Entendi que a gente só consegue escrever, escrevendo. Tanto ainda que é preciso amadurecer, mas isso é algo meu, eu e meu projeto.
Eu tinha tudo na cabeça. Justificativa, problematização, hipóteses, metodologia, contudo a ansiedade chegou de uma forma arruinando tudo. Eu parecia incapaz de preencher aquela folha em branco. E minha orientadora me deu o melhor conselho "vá assistir novela, vá pra praça, vá passear. Lembre-se que a gente escreve quando também não está escrevendo", essas palavras para mim foram como um bálsamo no meu momento de loucura, de incapacidade, frustrações, inadequações.
Se você conseguiu fazer um projeto de TCC/mestrado/doutorado em uma semana, parabéns para você. Comigo o processo é único, porque eu sou única. O meu caminho eu escolho.
E você aluno que também está nesse processo, senta aqui, dá um abraço e vamos visualizar o nosso trabalho final, pronto, acabado. Lembre-se, isso também importa. E como diz Pablo Neruda a intermitência do sonho faz com que a gente suporte os dias de trabalho.

Gisélia Silveira 

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