Projeção de alta para PIB do Ceará é de 3,5% em 2018

Foto: Ilustração 
Comércio, indústria da transformação e agropecuária estão puxando a retomada da economia no Ceará. Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas no Estado, voltou a crescer após dois anos consecutivos de queda e chegou a 1,87%, no comparativo com o ano anterior. Quase o dobro da média nacional (1%). Os dados foram apresentados ontem pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) que projeta um crescimento ainda mais robusto e sólido este ano: de 3,5%.

“Podendo chegar, sendo mais otimista, a 4%, enquanto que para o Brasil a sinalização é de uma faixa de crescimento de 2,8%. Tradicionalmente, o Ceará tem crescido acima da média e os números mostram que esta tendência voltou com muito mais força”, afirma o presidente do Ipece, Flávio Ataliba, ressaltando que a boa situação fiscal do Estado e a decisão de manter o volume de investimentos públicos mesmo na crise foram decisivas para este contexto.

O Ceará entrou na crise exatamente um ano após o Brasil, a partir do segundo trimestre de 2015 (-1,46%), depois disso passou a acumular resultados negativos bem piores que a média brasileira, mas está conseguindo se recuperar de forma mais rápida. O PIB cearense no 4º trimestre de 2017, por exemplo, cresceu 3,24%, no comparativo com igual período do ano anterior. Já o resultado do Brasil foi apenas 2,1%, na mesma base de comparação.

Boa parte deste desempenho se deve à retomada dos serviços, que respondem por 75,95% do PIB do Estado. E em especial do Comércio que começou a melhorar no segundo trimestre e chegou ao quarto com um crescimento de 5,8%. No ano, a alta foi de 3,21%.

A queda da taxa de juros, do endividamento das famílias, redução do desemprego e a inflação menor ajudam a explicar este cenário, segundo o analista de políticas públicas do Ipece, Alexsandre Cavalcante. Sobre o segmento de transportes, que registrou alta de 3,32%, ele observa que o desempenho já reflete o início da gestão da alemã Fraport no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, cuja gestão compartilhada com a Infraero começou em julho do ano passado. Como esses são fatores que devem perdurar ao longo deste ano, a projeção do Ipece é que o crescimento do PIB do subsetor como um todo chegue a 3% este ano.

A agropecuária, apesar de ter o menor peso na economia cearense, foi a que apresentou o maior crescimento em termos percentuais: 29,06% no 4º trimestre e de 28,90% no ano. A produção de grãos, em 2017, cresceu 183,22%, com relação à safra de 2016, com destaque para as culturas do milho e feijão, que cresceram 225,7% e 135,3%, respectivamente. Isso ocorre após dois anos muito ruins, os de menor produção dos últimos 22 anos. Ou seja, a base de comparação era muito baixa. “Os números de 2017 realmente são bons porque tivemos uma melhora da quadra chuvosa, mas ainda está aquém da capacidade que a gente tem”, afirma a analista do Ipece, Cristina Lima.

Já a indústria fechou 2017 no vermelho: - 0,64%. Mas a boa notícia é que este quadro está mudando. O último trimestre foi de alta de 2,08%. Destaque para os segmentos de metalurgia (41,8%), neste caso, principalmente, o desempenho da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP); têxteis (9,8%), confecção e vestuário (8,8%); e couros e calçados (5,2%).

Mas é sobre o início da recuperação da indústria da construção civil, amargando uma queda de 4,22% no ano, é que estão direcionadas as atenções de uma perspectiva melhor para economia neste ano. Embalado pela melhora da confiança e das condições de crédito, o segmento, um dos que mais emprega no Estado, registrou alta de 2,36% no último trimestre.

O Povo

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