Pesquisadores alertam que matar macacos pode prejudicar o combate à febre amarela

A morte de macacos tem se tornado frequente nos últimos dias. Alguns estados do Brasil passam por risco de febre amarela silvestre que atinge os primatas na mata. A doença pode ser contagiosa e passar do animal para seres humanos, uma vez que o macaco infectado serve de hospedeiro da doença e, se for picado por um mosquito urbano, a doença se proliferaria por meio desse mosquito nas cidades.

Sabendo desta parte da história, algumas pessoas, assustadas com o risco da doença - no Brasil foram detectados 213 casos e 81 mortes -, têm ido até o habitat de macacos para matar os animais. Mas o que os "caçadores" de macacos não sabem é que, ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar os bichos expõe os seres humanos a um risco ainda maior de contrair a doença.

Segundo afirmou o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, em reportagem à BBC Brasil, dois tipos de mosquitos silvestres transmitem a doença aos macacos: Haemagogus e Sabethes.

Ainda de acordo com o professor, o Aedes Aegypti, que vive em áreas urbanas, também é capaz de transmitir a febre amarela - do tipo urbana -, mas não há contaminação e transmissão pelo Aedes desde 1942. As pessoas que foram infectadas pelo vírus teriam contraído a doença em alguma região com mata.

Segundo o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por três dias, numa quantidade sufuciente para infectar outros mosquitos nesse período. Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos e a concentração do vírus diminui. O prazo para morte ou cura da doença - e por consequência, a obtenção da imunidade ao vírus - é de 10 dias.

Riscos de matar os primatas


Se muitos macacos começam a morrer, a tendência é aumentar a chance de contaminação de humanos. Sem ter primatas para picar, os mosquitos buscarão alimentos em outras localidades e o homem vira a próxima opção como fonte de sangue.

O médico epidemiologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da britânica London School of Tropical Diseases, reforça esse argumento.

"Suponha que desaparecessem todos os macacos da serra da Cantareira. O mosquito picaria pessoas. Se você diminui a população de macacos, mais gente será picada", disse à BBC Brasil.


O Povo

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