Ossos de desaparecido político são identificados depois de 50 anos da sua morte

Dimas Antônio Casemiro foi torturado e morto em 1971, durante a ditadura militar. O homem foi enterrado como indigente em uma vala clandestina de Perus, no cemitério Dom Bosco, zona Norte de São Paulo. Os restos mortais de Dimas foram levados para um laboratório na Bósnia, em setembro do ano passado, e seguiam em análise até este mês.

O Grupo de Trabalho Perus (GTP-Perus) estava responsável pela identificação de mais 41 corpos. Entre eles, o irmão da vítima, Dênis Casemiro, foi reconhecido assim que a vala foi descoberta, em 1991. Ele também teria sido torturado e morto no mesmo ano que Dimas. Em entrevista ao portal G1, o coordenador científico da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Samuel Ferreira, diz que foram levadas em consideração altura, idade, dentição e trauma por projétil de arma de fogo.

Os irmãos teriam sido assassinados com menos de 30 anos de idade. Dimas era militante do grupo VAR-Palmares e Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Alguns documentos dos órgãos de segurança afirmam que Dimas participou de operações armadas. Ele era casado e tinha um filho. Os dois eram de Votuporanga, São Paulo.

O GTP-Perus trabalha para analisar 1047 caixas de ossadas descobertas na vala clandestina. Entre peritos, professores universitários e consultores, o grupo é multidisciplinar. A escolha do laboratório bósnio foi feita devido a experiência deles com identificação humana no conflito da Iugoslávia.

O Povo

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