Entidade católica revoga edital que exigia experiência em "gênero"

Foto: Divulgação 
Edital da entidade Cáritas Diocesana de Sobral do dia 6 fevereiro que previa exigência de experiência em "gênero" para vaga de coordenador geral de um projeto foi revogada. A decisão, publicada na última quinta-feira, 22, vem depois de repercussão negativa entre fiéis e padres católicos com a inclusão da exigência. Porém, segundo nota oficial da Cáritas, revogação se deu "em virtude do atraso" do repasse do Ministério do Trabalho e Emprego.

O bispo de Sobral, dom Vasconcelos, contou ao O POVO Online, contudo, que tomou conhecimento do fato após a repercussão na diocese, e entrou em contato com a entidade, na mesma quinta-feira, para questionar a exigência. Segundo dom Vasconcelos, no momento da indagação, o edital já havia sido revogado por motivos financeiros. "Mas isso foi providencial que tenha sido assim, que não tenha piorado as coisas. Agora, se eu tivesse visto antes, eu teria impedido (pela exigência de gênero)", diz o religioso.

A disputa em questão, no edital, é para cargo de coordenador geral na composição de equipe do "Projeto Rede Bodega - Fomentando o Desenvolvimento Sustentável Solidário para o Bem Viver no Estado do Ceará". A nota de aviso de regovação do edital, assinada pelo padre frei Benedito Braga, diretor presidente da Cáritas de Sobral, afirma que o edital será lançado "novamente quando houver a concreta transferência dos recursos previstos no convênio". De acordo com dom Vasconcelos, sem a exigência de experiência em "gênero".

"Eu pedi que se retirasse essa palavra. Não convém, é claro. Fui informado que o novo edital seria feito, e que levaria em conta as observações e questionamentos que eu fiz", conta o bispo, que pondera que, "muitas vezes", os editais seguem "formulário padrão que vem do Governo" e tais exigências "passam despercebidas, se não se tem cuidado". "Especialmente no contexto atual, muitas coisas podem ser mal interpretadas."

O trecho da exigência no edital diz que o candidato deve ter "experiência em educação popular, gênero e articulação de redes", sem deixar claro se "gênero" está ligado a "educação de gênero". Para dom Vasconcelos, há também o problema de que a expressão "educação popular" se refira ao método de educação propagado por pedagogo e filósofo Paulo Freire, frequentemente ligado a pensamentos progressistas.

Igreja Católica

A posição de dom Vasconcelos, apesar de firme e mais direta, não representa uma novidade na Igreja Católica. Apesar de encontrar mais espaço em movimentos e pastorais da Igreja no Brasil, a educação de gênero é confrontada com frequência pelo papa Francisco – como cita o próprio bispo de Sobral.

Em 2015, o pontífice já destacava que a "teoria de gênero" é parte de tentativa de "colonização ideológica", tratando-se de "erro da mente humana" que "cria tanta confusão".

Em manifestação institucional na exortação apostólica Amoris Laetitia, de março de 2016, o papa afirma que a "ideologia de gênero" é iniciativa de "prever uma sociedade sem diferenças de sexo", que "esvazia a base antropológica da família”.

Em outubro de 2016, Francisco classificou, durante encontro de pequena comunidade católica da ex-república soviética da Geórgia, a "teoria de gênero" como "um grande inimigo do casamento".

Também em 2016, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota, enfatizou "condenção explícita" do papa à "ideologia de gênero". "É preciso tomar cuidados atualmente para que os ideólogos do gênero, fascinados como estavam os nazistas e os fascistas, não façam progresso e sejam detidos pelo bom senso e pelo respeito às famílias que desejem educar seus filhos sem tais imposições", diz a nota.


O Povo 

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