A cada 48 horas, uma pessoa trans é morta no Brasil

O assassinato de Dandara dos Santos, 42, em fevereiro do ano passado, no Grande Bom Jardim, ilustra uma realidade cruel do Brasil. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2017 foram contabilizados 179 homicídios de travestis ou transexuais no País. Isso significa que, a cada 48 horas, uma pessoa trans é morta no Brasil. Em 94% dos casos, os assassinatos foram contra pessoas identificadas com o gênero feminino.
Os dados são detalhados no Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2017, divulgado ontem, pela Antra, em Brasília.

O relatório destaca que o número de homicídios no ano passado é o maior registrado nos últimos 10 anos. Apenas entre 2016 e 2017 houve um aumento de 15% de casos notificados. O Brasil é o país onde mais são assassinados travestis e transexuais no mundo. Em segundo lugar, está o México, com 56 mortes. A comparação tem como base os dados da ONG Internacional Transgender Europe (TGEU).

A secretária de Articulação Política da Antra e autora do estudo, Bruna Benevides, diz que a violência está atrelada não ao exercício da sexualidade, mas à identidade de gênero. “A gente diz que o machismo é a semente do ódio e do preconceito. É como se os corpos dessas pessoas que desafiam as normas tivessem que ser expurgados da sociedade. E é isso que a sociedade tem feito”.

O estudo mostra que o Nordeste é a região que concentra o maior número de mortes: 69. Em números absolutos, Minas Gerais é o estado que mais mata a população trans — foram 20 em 2017. Na Bahia, foram 17. Em São Paulo, 16 — o mesmo número do Ceará. No Rio de Janeiro, 14. 

(Agência Brasil) 



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