Morre a lendária atriz Eva Todor, aos 98 anos

Foto: Internet
Mais um pouco e ela teria se tornado centenária. Eva Todor comemorou 98 anos em 9 de novembro - nasceu em 1919, em Budapeste. Ontem, 10, morreu em casa, no Rio, por volta das 9 horas. O anúncio, feito por amigos, acrescentou que a causa da morte foi pneumonia. O velório público está marcado para hoje, 11, das 9h às 11 horas, no Teatro Municipal, em plena Cinelândia carioca. Dali, o corpo será transferido para uma cerimônia privada no cemitério do Caju, onde será cremado, às 16 horas.

Nascida Eva Fodor, tornou-se uma atriz brasileira de teatro, cinema e televisão. Em 2012, participou de sua última novela - Salve Jorge, uma trama de Gloria Perez. Depois disso, diagnosticada com Doença de Parkinson, Eva recolheu-se à sua casa, na zona sul do Rio. Imediatamente após o anúncio da morte, pipocaram nas redes sociais as manifestações de pesar. O jornalista Arthur Xexéo lembrou que ela pertenceu à era das grandes companhias de teatro. Lucélia Santos, que contracenou com Eva em Locomotivas, lembrou que a artista se definia como “estilo Eva”, ou seja, ninguém podia fazer o que Eva Todor fazia.

Seus pais eram judeus-húngaros ligados ao meio artístico e Eva começou nos palcos, ainda criança, como bailarina da Ópera Real de Budapeste. Em 1929, a família Fodor migrou para o Brasil, trocando de nome - Todor - para evitar a comparação com o palavrão. Aos 11 anos, a pequena Eva retomou o balé clássico no Municipal, onde será velada.

Aos 15 anos, em 1934, debutou no Teatro Recreio, na revista Há Uma Forte Corrente. A essa altura, Eva já descobrira sua veia cômica. Casou-se, e o marido - Luis Iglesias - escrevia esquetes para ela. Seu maior sucesso era como ingênua, mas ela impregnava as personagens de malícia. O sucesso foi tão grande que, em 1940, ela já possuía companhia própria: Eva e Seus Artistas.

Naquele mesmo ano, o então ditador Getúlio Vargas foi vê-la no Teatro Municipal. Encantou-se e visitou-a no camarim. À queima-roupa, disparou - “Você não quer ser naturalizada?”. Eva Todor virou brasileira. Dois anos depois, ela fez grande sucesso com Deus Lhe Pague, de Joracy Camargo, e a montagem foi escolhida por Getúlio para inaugurar o novo teatro de Goiânia. Seu primeiro papel dramático foi como Cândida, na montagem do texto de George Bernard Shaw, em 1946.

Consagrada no palco, Eva foi fazer cinema. Em 1960, a era de ouro da chanchada estava se encerrando, mas ela ainda deu uma contribuição final - e genial - ao gênero. O filme - Os Dois Ladrões. O diretor, Carlos Manga, o rei da paródia. O astro, Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Diaz, o lendário Oscarito. Os ladrões do título enganam velhas ricas, trocando suas joias por bijuterias. Com o lucro, sustentam uma instituição de caridade, e terminam ajudando a ‘vítima’, Eva. No filme, ela se chama Madame Gaby.


(Agência Estado)

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