Novo teto de campanhas barraria 85 deputados federais eleitos em 2014

Eduardo Cunha gastou R$ 6.8 milhões em 2014

Sancionada pelo presidente Michel Temer no começo de outubro, a proposta de reforma política estabelece que os gastos dos candidatos ao cargo de deputado federal ficam limitados a R$ 2,5 milhões a partir das eleições de 2018, independentemente do Estado.

Nas eleições de 2014, quando a regra não valia, o valor foi ultrapassado por 85 dos 513 deputados eleitos (ou 16,5% do total), de acordo com levantamento do R7 nos gastos declarados pelos parlamentares à Justiça Eleitoral.

Naquele pleito, não havia limite de quanto os deputados poderiam gastar em uma campanha, mas, se fosse nas eleições de 2018, esses parlamentares ficariam impedidos de assumir o cargo.

Representando 16,5% dos candidatos eleitos, os gastos desses deputados federais corresponderam a 43,2% do total utilizado para chegar à Câmara em 2014.

Novo teto para campanha barraria 2 de cada 3 senadores eleitos em 2014

O campeão de gastos foi o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com gasto de R$ 6.832.479,98. Condenado a 15 anos de prisão, Cunha hoje responde atrás das grades pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no âmbito da operação Lava Jato.

O nome de Cunha é seguido na lista de gastos em 2014 pelo também peemedebista Marco Antônio Cabral (RJ) e por Iracema Portella (PP-PI), que tiveram gastos de, respectivamente, R$ 6.789.094,50 e R$ 6.723.539,50 em 2014.

Vale lembrar também que, naquele pleito, ainda era permitido o financiamento privado das campanhas. A prática foi suspensa em 2015 pelo STF (Supremo Tribunal Federal) devido à pressão criada em decorrência da Operação Lava Jato, que revelou pagamentos de empresas para políticos, na forma de doações eleitorais lícitas e ilícitas, em troca de contratos públicos.

O impedimento das doações de empresas para as campanhas levou à criação de um fundo de, aproximadamente, R$ 1,7 bilhão para bancar os candidatos a partir da eleição do ano que vem. A grana será originada de 30% do valor que é concedido a emendas parlamentares. Áreas como saúde e educação correm o risco de sofrer cortes para alimentar o fundo público eleitoral.

Fonte: R7

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.