Mãe é condenada a 32 anos de prisão no CE

Foto: O Povo
A educadora física Cristiane Renata Coelho foi condenada a 32 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio triplamente qualificados. Ela foi julgada ontem na 3ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua acusada de ter matado envenenado o filho Lewdo Ricardo, 9, e ter tentado fazer o mesmo com o então marido, o subtenente do exército Francileudo Bezerra, pai do menino.

Ocorrido em 10 de novembro de 2014, o crime ganhou muita repercussão à época porque, inicialmente, Francileudo foi o acusado. Somente dias depois, quando acordou do coma induzido por veneno de rato (popularmente conhecido como chumbinho) ingerido, as investigações recolheram elementos que indicaram que Cristiane seria a responsável pelos envenenamentos. Lewdo era autista.

Os jurados reconheceram a materialidade e a autoria dos dois crimes bem como as três qualificadoras (motivo torpe, uso de veneno e recurso que impossibilitou defesa da vítima). Ela não poderá apelar em liberdade.

O veneno para ratos foi posto em um sorvete de morango — o preferido de Lewdo — e no vinho tomado pelo subtenente.

Julgamento

O julgamento durou cerca de 12 horas. A sentença do juiz Victor Nunes Barroso foi proferida por volta das 21 horas. Cristiane não compareceu ao julgamento. A defesa argumentou que ela não reunia condições psicológicas para estar presente e pediu para não ir. “A defesa enviou um documento assinado por ela afirmando que não quer estar presente. É pouco comum, normalmente, o acusado quer vir dar a sua versão”, comentou o promotor André Clark.

Francileudo esteve na sessão e depôs durante a manhã. “Ele (Lewdo) foi covardemente assassinado pela pessoa em que ele mais confiava. Ela o envenenou e ficou olhando. Só quero que ela pague, e eu vou seguir minha vida com a família que me restou”, afirmou, durante o depoimento. Além dele, outras quatro testemunhas da promotoria prestaram depoimento, assim como o perito e o delegado Wilder Brito, que participaram das investigações.

A estratégia adotada pela promotoria foi a de expor as provas recolhidas no inquérito policial, como vários acessos no computador do casal a buscas de termos como “quanto tempo leva para uma pessoa morrer com chumbinho”. De acordo com a acusação, essas pesquisas foram feitas nos horários em que apenas ela estava em casa.

A defesa não enviou testemunhas. Os defensores não negaram a materialidade do crime (de que os dois foram envenenados), mas a autoria. E tentaram invalidar as provas da promotoria, justificando que elas eram fruto de equívocos periciais.

Enquanto os advogados de defesa, Roger Heuer e Juliana Gayão, que são do Recife (Cristiane e Francileudo são pernambucanos), apresentavam os argumentos, as reações de Francileudo e dos familiares eram de inquietude e discordância.

Fonte: O Povo

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